Transbordamento de albufeira leva China a suspender operações de resgate no Tibete
As autoridades chinesas suspenderam temporariamente hoje parte das operações de resgate no Tibete, depois de uma albufeira formada na sequência das enxurradas que atingiram a fronteira com o Nepal ter começado a transbordar. Pelo menos 472 pessoas morreram na sequência da enxurrada.
A emissora estatal chinesa CCTV informou que várias equipas de emergência se concentraram à entrada da localidade de Laojiang, situada a cerca de sete quilómetros da passagem fronteiriça de Gyirong, aguardando novas instruções perante o aumento do risco.
A albufeira, formada pela acumulação de lama e rochas que bloqueou um curso de água após a catástrofe, situa-se a mais de dez quilómetros da passagem fronteiriça e já começou a transborda r, segundo a estação.
Dados divulgados pela imprensa chinesa nas últimas horas indicam que o volume de água retida ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos.
A acumulação situa-se a cerca de 2.950 metros de altitude , quase mil metros acima da passagem de Gyirong, pelo que as autoridades alertaram que uma descarga repentina poderá desencadear novas cheias ou deslizamentos de lama a jusante.
O risco obrigou à interrupção das operações , enquanto as equipas aguardam instruções e continuam a acompanhar a evolução da albufeira natural, cuja formação já tinha levado, na quinta-feira, à retirada preventiva de habitantes de localidades próximas.
A passagem de Gyirong, uma das ligações terrestres entre o Nepal e a região do Tibete, sob controlo chinês, ficou praticamente arrasada e coberta por lama e escombros, segundo imagens de câmaras de videovigilância divulgadas nas redes sociais, registando-se graves danos nos acessos, comunicações e outras infraestruturas.
As investigações apontam para o colapso de uma grande massa de gelo num glaciar nepalês, a uma altitude entre 5.200 e 5.500 metros, que arrastou rochas e outros materiais, transformando-se numa avalanche de lama que atingiu o posto fronteiriço. 472 mortos confirmados
Pelo menos 472 pessoas morreram na sequência da enxurrada devastadora registada na fronteira entre o Nepal e o Tibete, de acordo com o último balanço provisório divulgado hoje pelas autoridades nepalesas.
Do lado da China, as autoridades reportaram três mortes no seu território no Tibete, elevando o número total provisório de mortos no desastre para pelo menos 472, com mais de 1.400 desaparecidos, incluindo centenas de estrangeiros. Pelo menos 1.545 feridos foram resgatados e dezenas de pessoas estavam a receber tratamento médico na capital, Catmandu, disseram as autoridades nepalesas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse na quinta-feira que há três cidadãos portugueses desaparecidos no Nepal e no Tibete, um homem e duas mulheres. Equipas tentam salvar mais de 100 trabalhadores presos em túnel
Equipas de resgate estão esta sexta-feira a tentar retirar mais de 100 trabalhadores presos num túnel na obra de uma barragem hidroelétrica, após a inundação que matou pelo menos 472 pessoas na quarta-feira, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, informou o exército nepalês.
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