"É grave". Centenas cercaram e atacaram PSP em Rabo de Peixe: o caso
U ma operação da Polícia de Segurança Pública (PSP) ao Porto de Pescas de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, nos Açores, realizada ao final da manhã de quinta-feira, 20 de agosto, por suspeitas do crime de tráfico de droga, terminou, com oito detidos, mais de 2 mil doses de droga apreendidas, mas também muita violência .
Quando o contingente policial se encontrava a abandonar o local da operação, centenas de pessoas cercaram e atacaram as viaturas da PSP, com "pedras e barrotes de madeira".
Apesar de nenhum polícia ter ficado ferido, o ataque provocou "alguns danos em quatro viaturas policiais", como contou o Comando Regional dos Açores desta autoridade num comunicado partilhado na página de Facebook, ainda no decorrer do dia de ontem.
Na mesma nota, a PSP revelou que, "devido à grande afluência de pessoas no local e, de forma a terminar com os arremessos dos objetos contra as viaturas policiais", os agentes viram-se obrigados a efetuar "seis disparos de advertência para o ar". Os polícias tiveram ainda de utilizar gás-pimenta para conseguir sair do local. Tal como os agentes, nenhum civil ficou ferido.
Entretanto, nas redes sociais, foram partilhados vários vídeos onde se vê centenas de pessoas a cercar os polícias.
Ouvem-se gritos, tiros, vê-se a PSP a reagir com gás pimenta. Mas nada parece meter medo aos populares que se juntaram em redor das viaturas policias. Além do arremesso de vários objetos impercetíveis, vê-se dois homens a atirarem bidões metálicos às carrinhas da polícia.
Nas imagens é ainda possível ver os alegados traficantes detidos, assim como várias mulheres com crianças ao colo, junto aos veículos policiais.
Várias pessoas já reagiram à violência com que a PSP foi recebida em Rabo de Peixe. Entre elas, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, à qual pertence Rabo de Peixe.
Numa publicação partilhada na sua página de Facebook, Jaime Vieira começou por dizer que ontem foi "um dia para não repetir e para não esquecer", realçando que o que aconteceu "é grave e não pode ser ignorado" e deixando bem "claro" de que lado está.
"A droga mata, destrói vidas e famílias, e todos temos de dizer não às drogas e assumir o compromisso de as combater. Quero deixar uma palavra clara: estou ao lado da PSP e das forças de segurança, que devem ter todas as condições para cumprir a sua missão e garantir a ordem e a segurança de todos", salientou.
O presidente da autarquia condena assim "o que se passou", sublinhando que "comportamentos desta natureza não podem ser tolerados".
Porém, lembrou também que a situação foi protaagonizada "por uma pequena minoria" da população de Rabo de Peixe, que conta com cerca de 9 mil habitantes.
"Quero dizer, com toda a convicção: o que aconteceu hoje não é um retrato de Rabo de Peixe. Uma parte não é o todo. Rabo de Peixe é uma terra de valentes pescadores, de grandes agricultores, de empresários de sucesso, gente de bem, honesta e trabalhadora, de famílias com jovens com futuro, que todos os dias lutam para construir uma terra melhor, e que não se revêm neste triste episódio de hoje. Nos últimos anos, muito tem sido feito para melhorar a imagem da nossa vila.
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