Bélgica junta-se aos países contra plano expansionista de Israel
"A Bélgica junta-se aos países que consideram inaceitável que as autoridades israelitas tenham tomado uma decisão contrária ao direito internacional, uma decisão que põe em risco a esperança de paz entre israelitas e palestinianos", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prévot, numa mensagem publicada nas redes sociais.
Prévot, que é também vice-primeiro-ministro, insistiu que os colonatos "são ilegais" e reiterou que o Governo belga "continua a opor-se aos mesmos e reafirma a necessidade de preservar as possibilidades de uma solução pacífica e duradoura baseada na solução de dois Estados".
Depois de o Governo israelita ter anunciado, na terça-feira, um novo concurso para a construção de 1.234 habitações no âmbito do controverso "plano E1", com o qual pretende dividir o norte e o sul da Cisjordânia ocupada e isolar Jerusalém Oriental, um grupo de sete países (Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Países Baixos e Noruega) emitiram um comunicado conjunto a exigir a Israel que "retire imediatamente estes projetos e ponha fim à expansão dos colonatos na Cisjordânia".
Além da Bélgica, Suécia e Nova Zelândia também aderiram ao comunicado, tendo Espanha condenado igualmente, numa declaração separada, os planos do Governo de Benjamin Netanyahu, que também mereceu a oposição de Portugal.
Numa nota publicada na quinta-feira à noite na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português condenou "fortemente" o plano de Israel de expansão dos colonatos na Cisjordânia, apontando que esta "afasta ainda mais as partes da solução de dois Estados, consolidando a separação entre o Norte e o Sul da Cisjordânia".
A diplomacia portuguesa defendeu também que "os sucessivos atos de violência cometidos pelos colonos israelitas na Cisjordânia, tão nocivos para uma paz negociada, também não podem ficar impunes".
"Portugal, com a UE e a comunidade internacional, não desistirá de apelar a que as partes alcancem uma paz justa, abrangente e duradoura, cumprindo as determinações de direito internacional", destacou na mesma nota.
Cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia ao lado de mais de 500 mil israelitas instalados em colonatos, classificados como ilegais pelo direito internacional.
A violência intensificou-se na Cisjordânia desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, com o registo de episódios de confrontos quase diários pela parte de colonos radicais contra a população local, que enfrenta também incursões regulares do exército.
Segundo as Nações Unidas, 1.111 palestinianos, dos quais pelo menos 243 crianças, foram mortos desde então e até meados de julho na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em ataques atribuídos a colonos radicais ou incursões militares do exército.
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