Calor e seca pressionam culturas de verão em Portugal sem alterar previsões
E m causa está o mais recente relatório do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia relativo ao sistema que acompanha as condições agrícolas e atualiza as previsões de produtividade na União Europeia (UE), que assinala que, nos últimos dois meses, “as condições quentes e secas aceleraram o envelhecimento das culturas” em Portugal, limitando a acumulação de biomassa.
Ainda assim, “dado o estado avançado de desenvolvimento das culturas, prevê-se que o impacto das condições meteorológicas recentes no sinal final de biomassa seja limitado”, o que significa que, apesar do calor e da seca, a maior parte das culturas está já perto do final do seu ciclo, reduzindo o efeito que estas condições poderão ainda ter na acumulação de biomassa.
As culturas de sequeiro enfrentam uma situação mais difícil, de acordo com este documento comunitário, que refere que, em Espanha e Portugal, “as condições quentes e secas persistiram até meados de agosto”.
O relatório alerta que “o girassol e o milho de sequeiro estão a apresentar cada vez mais sinais de stress térmico durante as fases reprodutiva e de enchimento do grão”.
A previsão de chuva e temperaturas mais amenas para a próxima semana poderá, contudo, trazer algum alívio, indica o documento.
Nas culturas de regadio, a situação é mais favorável, com “o milho, as batatas e a beterraba sacarina de regadio” a apresentarem “um bom desempenho graças à disponibilidade adequada de água para irrigação”, apesar das “elevadas necessidades de rega”.
A colheita do girassol já começou em Portugal, enquanto a da batata está “perto de ser concluída no sul” e continua “a progredir no norte”, é indicado.
Apesar da pressão provocada pelo calor e pela falta de chuva, “as previsões de produtividade para as culturas de verão mantêm-se inalteradas para Portugal”, adianta o relatório.
A situação portuguesa surge num contexto europeu marcado por condições meteorológicas extremas.
Segundo a Comissão Europeia, “o calor persistente e a falta de precipitação nos últimos dois meses estão a afetar as culturas de verão e o abastecimento de forragens em toda a Europa Ocidental e Central”.
Em várias regiões europeias foram observados “bem mais de 15 (localmente mais de 25) dias de calor”, com temperaturas máximas diárias de 35 graus Celsius ou superiores.
O relatório refere ainda que “a perda de água excedeu a reposição, intensificando a secura durante a primeira metade de agosto”.
Em Portugal, apesar de alguns episódios localizados de chuva, o padrão manteve-se quente e seco, sendo que, em “áreas isoladas”, a passagem de linhas de tempestade provocou “episódios locais de precipitação de curta duração”.
Neste contexto, a Comissão Europeia destaca o papel da Política Agrícola Comum no apoio à irrigação eficiente, às tecnologias de poupança de água, à melhoria da gestão dos recursos hídricos e à adoção de culturas mais resistentes às alterações climáticas.
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