Quem matou a Gazela?
Há uma diferença entre uma notícia e a história que decidimos contar com ela.
A Gazela 2 fechou na Rua de Entreparedes porque o edifício foi vendido para dar lugar a um hotel.
É verdade.
Também é verdade que a Cervejaria Gazela não fechou.
Aquela unidade reabriu quatro dias depois, a poucos metros, na Rua de Alexandre Herculano.
A casa original continua aberta.
Parece uma minudência.
Não é.
Porque, algures entre estes factos, é possível construir uma terceira frase: “mais uma casa histórica do Porto fechou para dar lugar ao turismo”.
E essa frase já não descreve apenas aquilo que aconteceu.
Explica-o.
É assim que uma notícia se transforma numa narrativa.
Preocupa-me uma cidade onde os residentes deixam de conseguir viver, a descaracterização dos centros urbanos, a perda de comércio tradicional e a transformação de bairros em espaços monofuncionais.
Trabalho há quase dez anos no turismo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.