Portugal acumulou défice equivalente a 300 mil casas em quatro anos
Portugal acumulou entre 2021 e 2025 um défice de oferta de habitação equivalente a cerca de 300 mil casas , colocando o país entre os casos mais graves da crise habitacional na União Europeia.
A conclusão é avançada esta segunda-feira pelo Financial Times (FT), numa análise dedicada às dificuldades sentidas em Portugal e Espanha e baseada num estudo do Banco de Espanha.
De acordo com os cálculos citados pelo jornal britânico, o défice português representa 6,6% do total de agregados familiares existentes no país em 2025 .
Em Espanha, a diferença acumulada no mesmo período é estimada em 750 mil habitações, equivalente a 3,7% dos agregados familiares.
Na zona euro, a média do défice apurado através da mesma metodologia corresponde a apenas 0,5%.
Os números não representam uma contagem física de casas que ficaram por construir.
A metodologia utilizada pelo Banco de Espanha procura medir o desequilíbrio entre o crescimento das necessidades habitacionais e a resposta da construção, comparando o número líquido de novos agregados familiares formados em cada ano com o número de habitações cuja construção tinha sido autorizada dois anos antes.
O intervalo procura incorporar o tempo necessário para os projetos serem construídos e chegarem ao mercado.
É esta diferença entre uma procura que cresceu rapidamente e uma oferta incapaz de acompanhar o mesmo ritmo que ajuda a explicar a dimensão do problema português.
A pressão é particularmente intensa nas duas maiores áreas metropolitanas do país.
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira , reconhece, em respostas escritas enviadas ao Financial Times , que o problema da acessibilidade à habitação continua a constituir uma preocupação em várias regiões portuguesas, salientando Lisboa e Porto como os locais onde as dificuldades são mais pronunciadas.
Santos Pereira reconhece igualmente que os elevados fluxos migratórios dos últimos anos aumentaram o número de agregados familiares residentes, contribuindo para uma procura adicional de casas.
Mas o governador do Banco de Portugal considera que a resposta ao problema deve estar sobretudo no aumento da oferta.
“A ênfase deve ser colocada em medidas do lado da oferta, dado que a falta de oferta está na origem do défice acumulado” , afirmou ao Financial Times .
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