Metropolitano de Lisboa considera greve "desproporcional e desajustada"
O Metropolitano de Lisboa (ML) considerou hoje "desproporcional e desajustada" a greve anunciada para quarta-feira, que afetará 600 mil passageiros, por só dizer respeito às reivindicações de uma centena de trabalhadores.
Em comunicado, o conselho de administração do ML considerou a greve "desproporcional, porque as questões que lhe estão subjacentes respeitam apenas a cerca de 100 trabalhadores, num total de 1.600" e "desajustada, porque desconsidera os resultados recentemente alcançados na negociação coletiva", com o acordo de empresa assinado há cerca de mês e meio.
"Esta paralisação tem um impacto significativo na mobilidade da população da Área Metropolitana de Lisboa, afetando diretamente os cerca de 600 mil passageiros que diariamente utilizam a rede", notou.
Os sindicatos representativos dos trabalhadores do ML apresentaram um pré-aviso de greve de 24 horas para quarta-feira e, de acordo com a administração, em consequência não haverá circulação de comboios nesse dia, "estando a retoma e normalização do serviço" prevista para as 06:30 de quinta-feira.
As reivindicações, segundo o ML, estão relacionadas com a organização do trabalho de trabalhadores afetos ao Posto de Comando Central, decorrendo de um acordo de 13 de abril deste ano entre a administração e as organizações sindicais, que "reforçou as condições necessárias à prestação regular de trabalho em conformidade com o horário normal, reduzindo o recurso excessivo ao trabalho suplementar".
"Promoveu igualmente melhores condições de trabalho, favorecendo a conciliação da atividade profissional com a vida familiar e pessoal, salvaguardando, em permanência, a segurança dos passageiros e a sustentabilidade do serviço público", acrescentou.
Nas reuniões com vista à suspensão da greve, o conselho de administração disse que "respondeu às posições das organizações sindicais, propondo soluções de compromisso, com informação completa, objetivos e prazos verificáveis, e reiterando a sua permanente disponibilidade para o diálogo".
"Entre abril e setembro de 2024 e de 2025, o Metropolitano pagou, pelo trabalho suplementar realizado no Posto de Comando Central e nos Postos de Tração, no valor de 372 mil euros.
No mesmo período de 2026, esse valor foi de cerca 53 mil euros", indicou.
Em relação a alegadas situações de assédio laboral por chefias do Posto de Comando Central, a empresa salientou ter "uma prática de tolerância zero perante estas situações" e que, "até ao momento, as alegações foram formuladas de modo genérico e sem indicação de quaisquer factos concretos, não tendo os canais próprios da empresa sido utilizados".
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