Seca e calor pressionam preços dos alimentos na Europa
As sucessivas ondas de calor que atingiram a Europa este verão estão a revelar uma vulnerabilidade que, durante anos, foi secundarizada: a capacidade de produzir alimentos.
Para Pedro Pimenta, vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Portugal, apesar das suas próprias limitações, partiu para este episódio climático com uma vantagem face a vários países do centro e norte da Europa: uma maior experiência na adaptação da agricultura ao calor e na utilização de sistemas de regadio e de arrefecimento.
“Portugal, no meio das nossas dificuldades todas, mesmo assim conseguimos estar melhor preparados do que o centro e norte da Europa”, afirmou Pedro Pimenta, em declarações ao Jornal Económico.
Segundo o vice-presidente da CAP, muitos agricultores de países como França, Alemanha, Bélgica ou Reino Unido estavam menos preparados para enfrentar períodos prolongados de calor extremo, uma vez que historicamente não tiveram a mesma necessidade de investir em sistemas de rega e de arrefecimento das explorações.
O resultado, acrescenta, está a traduzir-se em perdas significativas.
“Os nossos agricultores europeus vêm dizendo, e as organizações de toda a Europa, perdas na ordem dos 35% nos cereais, nas hortícolas também em torno dessas 30%”, afirmou.
A produção animal também não ficou imune.
No setor do leite, as temperaturas elevadas terão provocado quebras particularmente expressivas em alguns dos principais produtores europeus.
Pimenta aponta reduções que podem chegar aos 15% a 20% em determinadas zonas, explicando que muitas explorações do centro e norte da Europa não dispunham dos mesmos sistemas de ventilação e arrefecimento que foram sendo adotados pelos produtores portugueses.
“Os nossos já têm sistemas de ventilação, sistemas de arrefecimento para os animais, que nós nos fomos adaptando ao longo dos anos”, explicou.
Portugal com uma vantagem na adaptação ao calor Portugal não escapou aos efeitos do calor, mas a experiência acumulada com períodos de seca e temperaturas elevadas terá permitido uma resposta diferente.
De acordo com Pedro Pimenta, entre as limitações estruturais do país está a reduzida expressão da área agrícola equipada para o regadio, que situa em cerca de 15% a 16% da superfície agrícola útil.
Ainda assim, essa capacidade terá ajudado a amortecer parte dos efeitos das temperaturas extremas.
É precisamente nesta experiência que o responsável da CAP vê uma oportunidade para Portugal contribuir para a discussão europeia.
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