Estudo europeu deteta substâncias perigosas no calçado vendido na Temu e Shein
A Temu e Shein estão a vender calçado na Europa com substâncias químicas potencialmente perigosas para a saúde , concluiu um estudo divulgado esta terça-feira, 13 de outubro, coordenado pela Confederação Europeia do Calçado (CEC).
A conclusão surge após uma investigação, realizada entre fevereiro e maio deste ano, a 76 pares de sapatos adquiridos na Temu, Shein e AliExpress em sete países europeus - República Checa, França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido.
Após análises laboratoriais para avaliar o cumprimento das normas europeias de segurança e conformidade dos produtos, o estudo detetou que 27 pares (35,5%) apresentavam pelo menos uma não conformidade com os limites regulamentares aplicáveis.
Foi identificada a presença de ftalatos, formaldeído, crómio hexavalente, metais pesados, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e parafinas cloradas de cadeia curta.
Os resultados "são particularmente preocupantes no caso dos ftalatos", substâncias químicas utilizadas para conferir flexibilidade a materiais plásticos e cuja utilização está sujeita a restrições na União Europeia devido aos riscos associados à exposição, diz em comunicado a APICCAPS (associação portuguesa da indústria do calçado), que integra a Confederação Europeia do Calçado (CEC).
"Entre os 50 pares analisados para estas substâncias, 15 ultrapassaram os limites regulamentares" e "num dos produtos foi identificada uma concentração de 37%, cerca de 370 vezes superior ao limite de 0,1% estabelecido pela regulamentação europeia", concluiu o estudo, que contou com a participação do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.
A análise também identificou "incumprimentos em 30% das amostras analisadas para crómio hexavalente, 21,4% para parafinas cloradas de cadeia curta, 10% para hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, 9,3% para formaldeído e 4% para metais pesados" .
No calçado comercializado como equipamento de proteção individual, a taxa de incumprimento atingiu os 80% .
O estudo submeteu dez modelos a ensaios físico-mecânicos e de segurança e oito não cumpriam com pelo menos um dos requisitos aplicáveis.
Foram encontradas deficiências na resistência ao escorregamento e à perfuração, na proteção contra impactos e compressão, na resistência das biqueiras e na ligação entre a parte superior do calçado e a sola.
Também foram detetadas "alegações potencialmente enganosas, sem a necessária marcação CE ou sem a documentação obrigatória de avaliação da conformidade".
Segundo o comunicado, foram identificadas não conformidades em 13 dos 27 pares provenientes da Shein (48,1%) e em 14 dos 46 pares adquiridos na Temu (30,4%).
Nas três amostras provenientes da AliExpress não foram identificados incumprimentos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.