São Tomé/Eleições: "Não fiz muito, mas já se sente a diferença"
E m Conde, no distrito de Lobata, num comício curto de encerramento da campanha para as eleições gerais de domingo, Ramos começou por se apresentar como "o novo líder da ADI [Ação Democrática Independente] e rapidamente vestiu a pele de governante: "Até dia 27 sou primeiro-ministro, no poder há um ano de oito meses. Não fiz muita coisa, mas fiz coisas visíveis e a população sabe".
Em menos de cinco minutos, elencou o trabalho feito, sempre com a consciência de que "muito mais há por fazer". Listou o fim dos "apagões" elétricos, quatro descidas nos preços dos combustíveis, o aumento de salários e de pensões.
"Está tudo feito?", perguntou, para lançar a própria resposta: "Eu digo que não", dando como exemplo o problema do acesso a água potável no país de 240 mil habitantes e cujo investimento público depende em cerca de 90% de parceiros externos.
O governante e líder partidário lembrou que não foge dos problemas e que hoje há resultados a apresentar, apesar do curto mandato enquanto primeiro-ministro. E, por isso, sublinhou, pede um voto de confiança "no maior partido" de São Tomé e Príncipe, a formação política "que faz as coisas acontecerem".
A ADI tem vivido momentos atribulados. O líder histórico Patrice Trovoada foi destituído do cargo de primeiro-ministro em janeiro de 2025 pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, por deslealdade institucional. E depois foi afastado da liderança do partido, autoproclamada precisamente por Américo Ramos em junho e confirmada no final de julho, judicialmente. Após as presidenciais, Trovoada apelou aos militantes da ADI que não fossem votar nestas legislativas de setembro.
Hoje, Ramos criticou o apelo de Trovoada, recordou que o voto "é um direito constitucional" e que "ninguém deve ficar em casa", se não arrisca-se a que outros decidam por si.
Às eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro em São Tomé e Príncipe concorrem quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes-Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN); e o Movimento Basta.
Outros três partidos sem assento parlamentar vão a votos: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.
Para as legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e estão inscritos mais de 146 mil eleitores, um aumento de quase quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.
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