Zelensky acusa Putin de estar "preso ao passado". E quanto à China?
V olodymyr Zelensky discursava por ocasião do 35.º aniversário da independência da Ucrânia.
Numa referência direta à República Popular da China, Zelensky sublinhou que Pequim "não deve continuar em silêncio" e deve tomar uma posição contra as ameaças de Vladimir Putin sobre o eventual uso de armas nucleares.
"A China deve provar a ambição de ser um dos líderes mundiais, não só nos campos económico e tecnológico, mas também no civilizacional, deixando claro que nenhum ditador deve ameaçar o planeta com ogivas obsoletas", afirmou.
Por outro lado, Zelensky elogiou "a força de espírito" demonstrada pelo povo ucraniano ao enfrentar a invasão russa.
"O nosso país já é outra coisa há muito tempo. Não é um espectador, mas um protagonista. Não uma vítima, mas um guerreiro", disse, no registo vídeo gravado frente à catedral de São Miguel, em Kyiv.
No mesmo discurso, Zelensky lembrou a forma como os ucranianos têm enfrentado os "vários desafios" surgidos desde o início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
O Presidente ucraniano destacou ainda a capacidade do país para desenvolver meios próprios para abater a grande maioria dos drones Shahed lançados pela Rússia e declarou estar a fazer todos os possíveis para encontrar soluções que permitam neutralizar também os mísseis balísticos russos.
Zelensky voltou a pedir aos países aliados que forneçam a Kyiv os meios suficientes para forçar a Rússia a declarar um cessar-fogo e insistiu que a Ucrânia não vai entregar o território que ainda controla na região de Donetsk, como exige Moscovo.
Por ocasião do 35.º aniversário da Independência, Kyiv acolhe uma nova reunião da Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, conjunto de países, incluindo Portugal, dispostos a darem garantias de segurança à Ucrânia no caso de um acordo de paz com a Rússia.
"No Dia da Independência da Ucrânia, a Comissão Europeia aprovou 6,1 mil milhões de euros em novas aquisições de material de defesa para a Ucrânia. Este financiamento abrange sistemas de defesa aérea e antimíssil, mísseis, munições e radares, reafirmando o compromisso da Europa em apoiar a defesa e a resiliência da Ucrânia perante a contínua agressão russa", indicou em comunicado.
Citada pela nota, a líder da instituição, Ursula von der Leyen, sublinhou que esta iniciativa "demonstra que o apoio [da UE] é inabalável e concreto".
O financiamento agora aprovado integra o Empréstimo de Apoio à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, e surge numa altura em que a Rússia intensifica os ataques com mísseis balísticos e drones.
De acordo com fontes europeias, além dos cerca de 30 países que integram a Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, dispostos a darem garantias de segurança a Kyiv no caso de um acordo de paz com a Rússia, está também prevista a participação na reunião do presidente do Conselho Europeu, António Costa, presencialmente, e da 'número dois' da NATO, Radmila Shekerinska, por videoconferência.
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