Aguiar-Branco vs Chega. Quem vence o braço de ferro?
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Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Está há algum tempo e agora parece que abriu uma nova frente de batalha ao rejeitar o pedido do Chega para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. O partido de André Ventura tinha apresentado o pedido como iniciativa potestativa, ou seja, não dependia da vontade da maioria parlamentar, mas Aguiar Branco já tinha avisado e entende que o requerimento continua a ser demasiado abrangente, porque pretende investigar os oito anos de Luís Neves na PJ, procurar outras situações semelhantes e analisar decisões que possam revelar interferência política sem definir previamente, segundo Aguiar Branco, com precisão suficiente, aquilo que vai ser objeto de investigação. Para não ser acusado de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna, deu jeito ao presidente da Assembleia da República o requerimento de uma comissão de inquérito sobre o mesmo tema do JPP. Mas este requerimento, sim, ainda terá de ser votado em plenário. Mas isto ainda é só o começo, seja de uma batalha, ou então pode ser a continuação de uma guerra longa entre Aguiar Branco e o Chega.
E por falar em guerra, Paulo, o Volta está a começar a gerar uma revolta?
Exatamente. Podemos continuar aqui a manhã toda com estos cadinhos à volta do tema.
À la paz era acabava. É verdade, mas esse tema da devolução de plásticos e de latas de bebidas está a gerar muito mais polémica do que alguma vez poderíamos imaginar no início. No início havia quem pusesse em causa.
E muito lixo também. Quem pusesse em causa o sistema, dizer que é mais um esquema para as pessoas se esquecerem dos dez cêntimos, que são cobrados quando se compram as bebidas.
Para aumentar os preços. Mas o grande problema está noutro lado. Carlos Moedas pediu, de facto, ao governo a suspensão imediata deste sistema em Lisboa. E por quê? Porque muita gente viu, aqui no Volta, que devolve os tais R$ 0,10 por cada garrafa ou lata, viu aqui uma fonte de rendimento. Aliás, nas redes sociais estão cheias de casos concretos disso.
Já aqui passamos alguns. Pessoas a dizer que ganham cinco mil € por mês. Enfim, acho difícil que essas pessoas consigam 50 mil garrafas ou latas por mês. Mas tudo bem. Bom, e para isso, para estas pessoas receberem esses dez cêntimos, o que elas fazem? Fazem a recolha dos recipientes em contentores de lixo, colocando novos problemas à higiene urbana, porque muitas vezes depois o lixo lá está espalhado pelas ruas. O pedido do presidente da Câmara de Lisboa bateu na trave, como se costuma dizer, a Ministra do Ambiente recusa abrir essa exceção para Lisboa. Diz que o sistema é obrigatório a nível europeu, faz parte das metas para a reciclagem e que vai tentar encontrar forma de ajudar a resolver a questão.
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