Rangel diz que foram os EUA que "forçaram" a Europa a uma maior tensão
A tensão entre Europa e Estados Unidos é tal que já nem os governantes a escondem. Partindo desse ponto, o ministro dos Negócios Estrangeiros não afastou o evidente cenário de afastamento, culpabilizando o lado de lá pelo que está a acontecer.
Em declarações na CNN Portugal Summit | Strategic Transformation Lab, que decorreu esta quinta-feira em Oeiras, Paulo Rangel admitiu que é “natural” que existam tensões entre os aliados, mas neste caso foi o outro lado que começou.
“Julgo que foram eles [Estados Unidos] que nos convidaram a isso. Praticamente quiseram forçar isso”, atirou.
“Não há nenhum líder europeu hoje que não esteja absolutamente convencido e absolutamente convicto de que a Europa tomar uma parte da sua Defesa nas suas mãos é essencial, desde que o faça em articulação no quadro dessa relação transatlântica”, acrescentou.
Em todo o caso, o chefe da diplomacia portuguesa garantiu que é preciso continuar o diálogo entre as partes, até pela partilha de algo que é tão essencial para Portugal, o Oceano Atlântico, que também define todas as bases da NATO.
É aí que, garantiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, continua o foco do nosso país. “A autonomia estratégica, a soberania de Portugal, a sua independência, a sua afirmação, a sua identidade, exigem sempre uma parceria atlântica”, notou, definindo Portugal como “uma ilha rodeada de mar e de Espanha”.
“A relação entre os EUA e a Europa nunca foi uma relação de alinhamento completo de interesses”, ressalvou Paulo Rangel. “Foi sempre uma relação com alguma tensão”, juntou, ainda que a situação possa estar mais periclitante neste momento.
“Às vezes há a ideia de que estamos a viver uma época muito especial. Não, nos EUA houve sempre uma tendência isolacionista”, reiterou.
E é por isso que, na ótica de Paulo Rangel, a Europa deve caminhar no sentido da sua autonomia e Defesa. “Isto não significa um divórcio, de maneira nenhuma, com o seu parceiro atlântico, mas significa que não faz sentido que o parceiro atlântico esteja a pagar a Defesa da Europa.”
“É decisivo manter os laços atlânticos. Vejo isto como uma crise de crescimento dessa manifestação da autonomia de segurança da Europa. É algo que temos de por em perspetiva”, concluiu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.