Filipinas exigem explicações à China após detenção de mais de 100 filipinos
O ministro da Defesa filipino, Gilberto Teodoro Jr, exigiu explicações a Pequim sobre o alegado envolvimento de chineses em atividades ilegais nas Filipinas, bem como sobre a detenção na China de quase 100 filipinos.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China continua a esquivar-se à questão crucial”, afirmou Teodoro num comunicado de imprensa, citado pelo jornal filipino ‘The Inquirer’.
“Estas pessoas [detidas nas Filipinas] estiveram envolvidas em atividades ilegais? A resposta, em síntese, é sim”, acrescentou, no sábado.
O ministro referia-se aos 69 cidadãos chineses detidos em maio, quando as autoridades invadiram uma fábrica de aço na cidade de Tagoloan, no sudoeste do país, sob a acusação de produzir bens de qualidade inferior, armazenar materiais radioativos e poluir o ambiente com gases tóxicos e águas residuais não tratadas.
Segundo Teodoro, as autoridades filipinas reuniram “provas irrefutáveis e legalmente admissíveis” através de mandados de busca válidos emitidos pelos tribunais locais.
As declarações surgem depois de o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, ter defendido as ações das autoridades chinesas contra mais de 100 filipinos que viviam no país sem a documentação adequada.
Guo afirmou que os estrangeiros têm o dever de cumprir as leis e regulamentos chineses e realçou que as medidas tomadas pelas autoridades de imigração “não são dirigidas a nenhum país em particular”.
O porta-voz acusou ainda Teodoro de usar as forças armadas para “prender e deter” cidadãos chineses que, na visão de Pequim, trabalhavam legalmente nas Filipinas.
Gilberto Teodoro sublinhou que Pequim continuava evasiva quanto à participação ativa de funcionários da embaixada chinesa em Manila nos processos de deportação e a alegadas ameaças de represálias feitas aos cidadãos filipinos detidos na China.
“A resposta, como foi revelado numa audição no Senado [câmara alta do parlamento das Filipinas], é sim”, concluiu o ministro.
As tensões entre os dois países voltaram a aumentar em julho, quando o exército filipino acusou a guarda costeira chinesa de ter ferido um marinheiro filipino quando este se aproximava de um posto avançado numa zona disputada no mar do Sul da China, uma versão imediatamente desmentida por Pequim.
Poucos dias depois, no discurso sobre o Estado da Nação, o Presidente das Filipinas criticou a China e sublinhou que Manila não irá ceder a Pequim no que diz respeito a estas águas disputadas.
Ferdinand Marcos Jr., prometeu que o Governo continuará a defender a decisão arbitral de 2016 que invalidou as reivindicações expansionistas de Pequim no disputado mar do Sul da China e acrescentou que os filipinos “não cedem”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.