Paulo Macedo teme mais um ciberataque do que uma correção do mercado imobiliário
Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), traçou um retrato positivo da solidez da banca nacional na conferência que apresentou os resultados do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) conduzido pelo Fundo Monetário Internacional a Portugal.
No Museu do Dinheiro, em Lisboa, Paulo Macedo afirmou que os níveis de crédito malparado no imobiliário, nos particulares e nas empresas estão em mínimos , acrescentando que a cobertura por imparidades é elevada.
Essa realidade é visível no balanço da Caixa, com o banco público a fechar 2025 com um rácio de crédito não produtivo de 1,44% , que Paulo Macedo classificou como mínimo histórico e que compara com 2,3% no conjunto do setor bancário português em setembro de 2025, segundo o FMI, depois de uma redução muito expressiva do malparado na última década.
O CEO da Caixa recordou ainda que a intensidade da supervisão ajudou os bancos portugueses a evoluir nos últimos anos “em termos de governação e na rapidez de acesso a técnicas de normalização”, vincando que essa evolução também trouxe resultados positivos ao setor.
No plano dos riscos que o setor financeiro entrenga, o presidente da Caixa colocou a fasquia na cibersegurança e não na correção do mercado imobiliário, como é referido pelo FMI.
Este balanço soma-se ao que o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, apresentou momentos antes na mesma conferência, quando defendeu que o sistema financeiro português está “mais resiliente, melhor preparado e mais bem equipado para absorver choques” do que estava há duas décadas.
Paulo Macedo acrescentou uma dimensão prática a essa avaliação, apontando a evolução dos rácios de eficiência da banca, com o rácio de custos a situar-se abaixo dos 40% , e destacando a diferença face à situação vivida há uma década, quando cada um dos grandes bancos detinha nos seus balanços entre mil milhões e dois mil milhões de euros em imóveis recuperados.
“Hoje, diria que é ainda 0,01%”, afirmou, referindo-se ao peso residual que esses ativos representam atualmente nas contas da banca.
O CEO da Caixa revelou também que mais de 90% dos ativos problemáticos herdados de anos anteriores, entre imóveis e unidades hoteleiras, já foram resolvidos ou reintegrados no mercado , retirando-os dos balanços dos bancos.
Lisboa entre cidades globais com risco de bolha imobiliária Ler Mais Este ponto liga-se diretamente a uma das principais conclusões do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que identifica a subida acentuada dos preços da habitação como uma das vulnerabilidades prospetivas mais relevantes para a estabilidade financeira em Portugal , com os preços a subirem 169% desde 2015, quase o triplo da média da área do euro.
A preocupação não decorre apenas da valorização das casas.
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