It’s the stupidity, stupid!
A duas semanas das midterms a vida não está fácil para Trump (o Donald, não o Plínio Trump, candidato nas eleições no Brasil junto com Tsunami Grandmother, Samurai Taxi Driver, Henrique Barack Obama e Mick Jagger).
Se não bastasse uma semana em que despediu a press secretary e a embaixadora na Grécia, as duas em circunstâncias atribuladas, viu a senadora GOP Darline Graham criticá-lo por suspender as sanções à Rússia e Rodgers defender o fim das sanções ao Canadá, as sondagens (VoteHub) dão uma probabilidade de 86% de os Democratas tomarem o controlo da House e de 60% de conquistarem também o Senado, o que seria um verdadeiro desastre para Trump: somaria a forever war que tem no Irão a uma everyday war com o Congresso.
Um sinal de que os republicanos dão a House como perdida é que nesta corrida o superpac republicano Congressional Leadership Fund cancelou a compra de anúncios em vários distritos de Michigan, Ohio, New Jersey, Iowa e Nebraska – a liderança já não considera viável disputar essas áreas.
A palavra de ordem é concentrar no Senado: a verba em publicidade gasta desde setembro e planeada até às eleições está nos 300 milhões de dólares para ambos os partidos no tocante à Câmara dos Representantes, mas no Senado os republicanos ganham por quase mil milhões contra 600 milhões.
E bate-se a todas as portas – só Elon Musk doou 276 milhões, 158 a favor de Paxton no Texas.
Mas são muitos os tiros nos pés de Trump e acólitos, como o se estão preocupados com o preço da carne, “escolham outra proteína” da Senadora Hyde-Smith, a lembrar Maria Antonieta; ele próprio acusou Biden de gastar 8 milhões de dólares a fazer ratos transgénero (confusão com transgénicos), prometeu baixar o preço dos medicamentos 1500%, referiu-se à Espanha como um BRIC e afirmou não deportar o Princípe Harry por ele já ter problemas que cheguem com Meghan.
Pois, o slogan destas eleições podia bem ser “it’s the stupidity, stupid!” Mas uma vitória democrata não é favas contadas, e muitos democratas acham que a esmola é grande.
Diversos fatores podem intervir, como a abstenção e o “já está ganho”, o “ partisan non-response bias ” (os trumpistas são avessos a participar em sondagens) e – mais importante – as manhas e trafulhices de Trump, uma das últimas a investigação a Ilhan Omar, deputada democrata crítica de Trump, sobre a idade dela quando o pai se naturalizou americano, na tentativa de a deportarem.
Portanto vamos cruzar os dedos, também os dos pés que com Trump não basta os das mãos.
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