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Portinho da Arrábida, quando a praia se transforma em Badoca Park

Diário de Notícias ·

Quando em pleno verão, na praia do Portinho da Arrábida, os veraneantes são obrigados a partilhar o areal com javalis, como se estivessem no Badoca Park, algo de errado se está a passar.

A imperdível reportagem da SIC de 7 de agosto tornou nacional aquilo que utentes, moradores e concessionários da Arrábida já sabiam há muito, os javalis aparecem cada vez mais nos areais e nas ruas de Setúbal sem que nada os impeça.

As imagens capturaram a surreal realidade com javalis na praia entre toalhas, chapéus de sol, crianças a brincar, investidas a lancheiras, lixo espalhado e jardins destruídos na Baixa de Setúbal perante o desespero da autarquia e das inqualificáveis respostas do Sr.

Diretor Regional do ICNF face à alarmante situação.

Após décadas de ausência, os javalis voltaram à Arrábida, como a todo o resto do território nacional, mas, aqui, vieram encontrar um habitat ideal para viver, onde o seu único atual predador, o homem, tem pouca margem de manobra para os controlar devido à densa vegetação na serra e à grande proximidade com centros urbanos.

Apesar destas condicionantes, segundo o ICNF, são legalmente abatidos dentro do Parque Natural da Arrábida entre 400 e 600 javalis por ano, sem que isso seja suficiente para manter os seus números em níveis sustentáveis.

Segundo peritos, a avaliar pelo número de abates, poderemos estar perante uma população de, mais ou menos, 3000 javalis, embora não existam contagens oficiais.

A falta de alimento natural para uma população que não para de crescer obriga os animais a encontrar alimento fácil em caixotes de lixo, restos de piqueniques e sacos abandonados.

A fronteira entre animal selvagem e espaço humano deixou de ser equilibrada e transformou-se numa dor de cabeça para a população.

Além do perigo que representam devido à sua natureza selvagem, os javalis são portadores de diversas zoonoses, como a brucelose e tuberculose, por exemplo, transportam parasitas como carraças, sendo igualmente um problema para a circulação automóvel, (o ICNF acaba de divulgar que, a nível nacional, os javalis causam mais de 500 acidentes rodoviários por ano) e, por último, causam avultados estragos na agricultura.

Há quase uma década que a presença de javalis na Arrábida deixou de ser ocasional.

O Clube da Arrábida, associação local constituída por residentes, utentes e comerciantes da zona do Portinho da Arrábida, trabalhou com o ICNF, a Associação Nacional de Produtores de Caça e a Direção-Geral de Veterinária num plano de ação para controlo dos javalis na Arrábida, entregue em 2017 à Câmara Municipal de Setúbal, numa altura em que os avistamentos de javalis eram ainda raros.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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