França apoia vítimas dos incêndios com mais de 100 milhões
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, deslocou-se hoje à zona de Gironda, acompanhado por seis ministros, para visitar a região onde os incêndios destruíram cerca de 42 mil hectares, desde a baía de Arcachon até às proximidades da cidade de Bordéus.
Cerca de 240 habitações foram destruídas pelos incêndios e o chefe do Governo reconheceu a necessidade de encontrar soluções de realojamento "a médio e longo prazo", garantindo simultaneamente "perspetivas de reconstrução" às populações.
Para acelerar o processo, as licenças de construção deverão, em regra, ser concedidas no prazo de um mês, embora Lecornu tenha admitido que os casos mais complexos poderão demorar mais tempo.
O Governo pretende ainda recorrer a uma alteração do regime jurídico que foi criado para facilitar a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, em Paris, após o incêndio de abril de 2019, permitindo simplificar ou acelerar algumas das formalidades administrativas.
O Estado francês deverá igualmente funcionar como intermediário entre seguradoras e vítimas para acelerar os processos de indemnização e divulgar quais as empresas que estão a cooperar na resolução dos pedidos.
As empresas localizadas nas zonas atingidas ficarão isentas durante três meses do pagamento de contribuições para a segurança social, enquanto serão também concedidas isenções fiscais sobre o património.
A agência francesa de promoção turística Atout France deverá igualmente desenvolver ações para contrariar a imagem negativa da região criada no estrangeiro pelos incêndios, estando prevista a partilha de experiências com Portugal, Espanha e Canadá, países igualmente afetados por grandes fogos florestais.
Durante a visita, Lecornu garantiu que o Governo "não tem nada a esconder quanto ao andamento das operações", depois de ter sido recebido com vaias em Le Porche, localidade onde se concentra a maioria das casas destruídas pelos incêndios, num total de 183.
Os protestos estão relacionados, em parte, com alegações de que os bombeiros terão dado prioridade à proteção de propriedades de luxo na vizinha Lège-Cap-Ferret em detrimento das habitações de Le Porche.
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