Greenpeace aponta para mil milhões por ano para prevenção de incêndios
N este ano, mais de 76% da área afetada pelos incêndios concentrou-se em 42 grandes incêndios florestais, enquanto no ano passado apenas 0,77% dos incêndios foi responsável por 86% da área queimada, indicou em comunicado a organização não-governamental (ONG).
"Verifica-se uma diminuição do número de incêndios, mas um aumento exponencial da área queimada por grandes incêndios florestais", assinalou o responsável pela campanha florestal da ONG, Miguel Ángel Soto, citado no comunicado.
O responsável considerou que os recordes registados este ano "evidenciam a magnitude de uma emergência que exige reforçar a prevenção, adaptar o território ao risco e antecipar-se ao fogo".
Para a Greenpeace, reduzir os focos de incêndio é apenas uma parte da prevenção, que também deve centrar-se na gestão do território para limitar a propagação das chamas através de tratamentos silvícolas, descontinuidades na vegetação e a manutenção de mosaicos agroflorestais.
A adaptação deve abranger também as populações situadas junto a zonas florestais, onde a Greenpeace apelou para a aplicação de planos de prevenção, emergência e autoproteção, além de melhorar os sistemas de alerta e preparação da população.
"As alterações climáticas estão a transformar cada vez mais os incêndios em verdadeiras emergências de proteção civil", adiantou na mesma nota.
A Greenpeace calculou que os grandes incêndios tenham representado, este ano, entre 2.000 e 3.800 milhões de euros em custos, sem incluir danos nas infraestruturas, perdas económicas, indemnizações ou deterioração dos ecossistemas.
Perante estes custos, Soto defendeu que "por cada euro investido, é possível evitar até 100 euros em custos de combate aos incêndios" e pediu, juntamente com outras entidades especializadas, um investimento de 1.000 milhões de euros por ano para gerir a paisagem e reduzir o risco.
Exigiu também "vontade política" para aplicar medidas já consideradas consensuais por especialistas, profissionais e organizações sociais e advertiu que "a classe política não está à altura" perante uma emergência que também agrava a desertificação e a degradação dos ecossistemas.
Além de França, também Espanha, Grécia e outros países europeus têm sido fustigados por grandes incêndios durante este verão.
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