Enfermeiras denunciam "colapso sanitário sem precedentes" em Ceuta e pedem que governo declare estado de alerta
O Conselho Geral de Enfermagem (CGE) de Espanha exigiu, esta quarta-feira, que fosse declarado o estado de alerta em Ceuta, face ao "colapso sanitário sem precedentes" relatado pelas profissionais que trabalham na cidade autónoma, onde enfrentam 200 atendimentos diários, com picos que chegam aos 1.400.
Cada enfermeira está a assumir uma carga de cuidados que varia entre 14 e 16 doentes e turnos de trabalho que excedem em até quatro horas a sua jornada, o que as deixa "exaustas, sem recursos e no limite", denunciou o CGE num comunicado em que se faz eco e se junta às denúncias da Ordem dos Enfermeiros de Ceuta.
A falta de meios obrigou estas profissionais a ter de atender picos de até 1.149 pessoas em 24 horas; na atenção primária "estão a trabalhar até às 21:00, quando o seu horário termina às 17:00", incluindo sábados e domingos, enquanto nas urgências foi criada uma zona para os migrantes, na qual cada uma atende até 16 pessoas.
Embora a assistência hospitalar tenha diminuído para cerca de 300 a 400 atendimentos por dia e, na atenção primária, para cerca de 70 a 100, os atendimentos nos acampamentos "continuam a ser muito elevados e a escassez de enfermeiras faz com que as ONG estejam a pedir voluntários com urgência".
Para além da sobrecarga, existe "uma profunda preocupação" com o estado de saúde da população atendida, que já está a dar origem a surtos de doenças associadas à superlotação e à falta de higiene.
Neste sentido, as enfermeiras de Ceuta estimam que se tenham registado 200 casos de gastroenterite aguda e 20 de sarna — sem contar com os 30 detetados entre os militares —, 21 de impetigo e quatro de tuberculose, aos quais se somam os detetados nos acampamentos de praias como El Trampolín ou nos armazéns do Tarajal, onde o acompanhamento é muito mais complexo.
Criticam ainda que a cidade "se encontra mergulhada no medo", e que a sua população anseia já por «poder desfrutar» da praia ou "ir às compras sem filas de racionamento ou falta de produtos de primeira necessidade".
"Estamos exaustas, tanto física como psicologicamente, a enfrentar um profundo desgaste emocional por sermos o principal apoio de pessoas que se encontram em condições que não correspondem às de um país desenvolvido", lamentou a sua presidente, Rosa Fuentes.
Da mesma forma, o presidente do CGE, Florentino Pérez Raya, exigiu que fosse estabelecido "um comando único em Ceuta" e que fossem atribuídos os meios e as previsões que "esta emergência territorial exige" e que "está a levar a profissão à falência assistencial" na cidade autónoma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.