IA no ensino é o fim dos professores? — Ouvintes
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Este é o Fora do Baralho especial ouvintes, em que os ases respondem às perguntas que são enviadas para [email protected]. E esta semana tenho comigo o Nuno Garoupa e vamos falar sobre inteligência artificial, numa semana em que um investigador da Anthropic se demitiu e deixou o mundo a pensar que o fim da humanidade pode estar próximo. Jacob Coxon, que também já tinha trabalhado para a OpenAI, acredita que as empresas de inteligência artificial estão a arriscar as nossas vidas e que nenhuma outra atividade humana representa este nível de perigo. Nuno, o Rui Valério pergunta-nos como é que devemos olhar para estas afirmações, principalmente quando este não é o primeiro ex-trabalhador destas empresas gigantes de inteligência artificial a dizer coisas do gênero quando deixam de trabalhar nestes sítios.
Olá a todos. Deixa-me começar por dizer que eu não sou especialista em inteligência artificial, eu sou um amador destes temas, mas parece-me que nós temos que pôr as várias perspectivas aqui em contexto. Repara, o que tu acabaste de dizer, citando o Jacob, eu acho que literalmente é verdade. Mas literalmente é verdade pela simples razão de que, primeiro, as empresas da AI não sabem muito bem o que é que vai acontecer nos próximos 10 anos. Nós estamos a lidar com uma tecnologia que não é muito claro o que é que vai acontecer. E em segundo lugar, quando lidas com uma tecnologia que é nova, é evidente que há sempre um conjunto de perigos, que para a atividade humana e para o futuro da humanidade, que nós não conseguimos totalmente realizar e antecipar. Agora, dito isto, literalmente, isso é verdade. Mas é verdade na mesma proporção em que foi verdade nas várias quatro revoluções industriais, porque nós agora sabemos o que é consequência de introduzir tecnologia nos transportes, o que é revolucionar a produção, o que é revolucionar a forma de organizar da humanidade e o que é revolucionar a informação e as tecnologias de informação com a internet. Mas quando começou, nós não sabíamos. E houve muita gente, na altura, no século XVIII, no século XIX, século XX, que também disse que essas tecnologias eram o fim da humanidade. Portanto, primeiro é preciso relativizar que isto é normal, que haja pessoas mais ou menos avisadas a dizer essas coisas quando se introduzem novas tecnologias. A segunda questão é lembrar a toda a gente que nós estamos a utilizar a expressão inteligência artificial para nos referir, essencialmente, a modelos LLM, Large Language Models. Há muita gente que já está a dizer que esses modelos vão estar completamente ultrapassados dentro de cinco anos e teremos outra tecnologia com outros modelos completamente distintos destes. Se isso for verdade, teremos outros problemas em 2030. Portanto, não vale a pena estar a perder muito tempo com estes problemas, quando é muito possível que estes problemas estejam desatualizados dentro de cinco anos.
Deixa eu só fazer-te uma pergunta. Estavas a falar há pouco das revoluções.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.