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Outono quente, Europa em chamas. Os extremistas agradecem

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Outono quente, Europa em chamas. Os extremistas agradecem

Vídeos de motins e pilhagens ardem no telemóvel do meu filho, que hoje faz 16 anos. Vai herdar um planeta de extremos, com temperaturas crescentes, guerras em 35 países e mais autocracias que sistemas democráticos. As próximas eleições no Brasil, nos EUA e na Europa serão decisivas para aumentar ou diminuir o caos incessante.

“O fogo arde em décadas e hemisférios diferentes. Mesmo quando já amanhece, e na rua só restam automóveis calcinados, as chamas continuam a ser regurgitadas na televisão e no ecrã do telefone de Cosme, um círculo de fogo posto que ajuda a carburar os insultos nas redes sociais e que tanto imola a Polícia como os moradores, disseminando vídeos de motins e de pilhagens gravados noutros países, mas publicados como se estivessem a acontecer naquele preciso momento nos subúrbios de Lisboa”.

Esta frase do parágrafo inicial do mais recente livro de Hugo Gonçalves (‘O império do fim’, setembro de 2026), serve para ilustrar o outono quente em que estamos mergulhados desde há um mês. Quente porque o aquecimento global não dá descanso desde há décadas, e porque depois do terceiro verão mais quente em Portugal desde que há registos (1931) vem aí — ou pior, já cá canta — a estação das depressões atmosféricas e das chuvas torrenciais, no Mediterrâneo e no Atlântico.

Um pouco por todo o lado, há também protestos nas ruas, mais pacíficos neste canto ibérico — por enquanto — e mais violentos em França, como é habitual. Mas o descontentamento prendeu também em Itália, na Bélgica, na Albânia. Em Madrid, milhares de professores e estudantes saíram à rua, na quarta-feira passada, para “defender” o ensino público e reclamar melhores condições de trabalho para alunos e docentes. Foi a primeira jornada de uma greve sem fim à vista que promete dar que falar também esta semana, com cortes de trânsito e outras mobilizações.

Na Porta do Sol, mesmo no centro da capital espanhola, estão acampados, desde há semanas, milhares de jovens unidos pela crise habitacional. A angústia pela escalada dos preços das casas e a vaga de despejos, simbolizados pelo destino fatal de Maricarmen (a mulher de 87 anos que morreu depois de ter sido expulsa do apartamento onde morava desde 1956), desencadeou a criação de um movimento que conta cerca de 2.000 tendas só em Madrid, e a convocatória de eleições anticipadas em Espanha daqui a 40 dias.

Entretanto, os principais sindicatos do país vizinho marcaram uma greve geral a 11 de novembro. Na praça D. João I, no Porto, e no Rossio, em Lisboa, surgiram as primeiras tendas e, infelizmente, os primeiros episódios de violência policial. Nada comparado, contudo, com o cenário de 17 de outubro em França, com milhares de detidos, centenas de feridos e viaturas carbonizadas (carros, bicicletas e trotinetas), prédios em chamas, negócios vandalizados e agressões gratuitas de parte a parte.

Os protestos estudantis na República Francesa alastraram entretanto a outras reivindicações sociais (coletes amarelos) e outros países: Albânia, Bélgica, Itália. Nas ruas de Milão e Roma, há quem reclame “dinheiro para a escola, não para a guerra”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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