“A outra guerra” da Segunda Guerra Mundial: a propaganda feita para “convencer os portugueses”
Portugal não entrou militarmente na Segunda Guerra Mundial, mas isso não o deixou fora da disputa pela opinião pública.
Entre 1939 e 1945, britânicos, alemães, americanos, italianos e franceses fizeram chegar ao país publicações e outros materiais concebidos em português, numa batalha paralela à das armas: a de persuadir, mobilizar e moldar a perceção do conflito.
É essa frente menos visível que a exposição “A Outra Guerra – Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial” recupera a partir do acervo do Arquivo Ephemera.
Com curadoria e textos de José Pacheco Pereira, a mostra abre a 22 de setembro no Armazém 150, no Parque Empresarial do Barreiro, e reúne cerca de 200 peças de um núcleo de aproximadamente 600 documentos conservados pelo arquivo.
“Esta exposição, que na realidade não é necessariamente só sobre a Segunda Guerra Mundial, é sobre a outra guerra, a guerra da propaganda e a importância de Portugal nessa guerra”, afirma Pacheco Pereira ao DN.
Essa importância torna-se mais nítida quando se observa a quantidade e a diversidade dos materiais destinados ao público português.
“Ingleses, americanos, alemães, italianos e mesmo franceses, todos eles publicaram propaganda em português.” Folhetos, revistas, caricaturas e outros impressos permitem perceber não apenas o que cada potência queria dizer sobre si própria ou sobre os adversários, mas também aquilo que julgava capaz de produzir efeito em Portugal.
Pacheco Pereira fala em “produtos portugueses da propaganda de guerra”, reveladores “daquilo que cada um dos beligerantes queria dizer e queria convencer os portugueses.” A especificidade do destinatário é uma das chaves da exposição.
Não se trata apenas de propaganda traduzida, mas de mensagens que procuravam reconhecer referências históricas, sensibilidades e ressentimentos próprios do país.
“E por isso é tão interessante”, diz o historiador.
É particularmente evidente nos materiais produzidos pela Alemanha nazi.
A propaganda alemã recuperou episódios das relações luso-britânicas, sobretudo o Ultimato de 1890, para atacar a imagem do Reino Unido junto dos portugueses.
“O caso mais significativo é a Alemanha.
A Alemanha pega em elementos da história de Portugal para dizer: ‘A Inglaterra é um país imperialista e esclavagista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.