Costa espera que negociações sobre orçamento da UE não durem 5 dias
"Há [quase] sete anos, passámos cinco dias e quatro noites [em negociações]. Presumo que, este ano, todos queiram concluir o Conselho [Europeu] mais cedo, para regressarem aos seus países e às suas famílias e celebrarem o Natal. Por isso, estou otimista quanto a isso", disse António Costa.
O antigo primeiro-ministro português, que participou nas negociações de 2020 nessa qualidade, aludiu à cimeira europeia marcada para 17 e 18 de dezembro, considerada crucial para alcançar um acordo político sobre o próximo orçamento de longo prazo da UE, mas também particularmente difícil, depois de vários meses de negociações e de outras reuniões do Conselho Europeu previstas para a segunda metade deste ano.
"Teremos um Conselho Europeu em outubro, no qual vou tentar definir os novos recursos próprios, e em que a presidência irlandesa apresentará uma nova caixa de negociação, com valores, e veremos o que resulta deste debate. Teremos um Conselho extraordinário em novembro para dar continuidade a este debate e, finalmente, teremos o Conselho Europeu de 17 de dezembro", elencou António Costa.
O responsável falava em conferência de imprensa em Praga, junto ao primeiro-ministro checo, Andrej Babis, no terceiro dia de uma primeira semana de ronda pelas capitais europeias, com foco na negociação orçamental.
"Quando concluirmos este processo, ninguém poderá dizer que vai receber mais ou que vai receber menos do que recebia com o orçamento anterior, porque isso depende do futuro e não do orçamento, uma vez que temos uma estrutura completamente diferente", adiantou o presidente do Conselho Europeu.
As negociações do anterior orçamento de longo prazo da UE, para o período 2021-2027, foram complexas e prolongadas.
Os líderes europeus chegaram a um acordo político em julho de 2020, após uma cimeira extraordinária de cinco dias e quatro noites, sobre um pacote de 1,8 biliões de euros, que incluía o Quadro Financeiro Plurianual de cerca de 1,07 biliões de euros e o fundo de recuperação o instrumento de recuperação da UE de Próxima Geração, no valor de 750 mil milhões de euros.
O acordo surgiu após bloqueio da Hungria e da Polónia à introdução de um mecanismo que condicionava o acesso aos fundos europeus ao respeito pelo Estado de direito, tendo o pacote sido finalmente aprovado em dezembro de 2020.
A reunião de alto nível durou 90 horas e 20 minutos, tornando-se a segunda mais longa da história da UE, apenas 25 minutos mais curta do que a cimeira de Nice, em 2000.
Nesta que é a terceira vez que faz uma 'tour' pelas capitais da UE, depois de iniciativas semelhantes em 2024 e em 2025, António Costa vai passar por todos os Estados-membros até 17 de setembro, com exceção da Suécia, que terá eleições na primeira metade do próximo mês.
A ideia é ouvir os chefes de Governo e de Estado da UE sobre os principais desafios.
O que diferencia a edição deste ano é a preparação das negociações sobre o próximo orçamento da UE a longo prazo para 2028-2034, que marcarão os próximos meses.
António Costa é o primeiro português e o primeiro socialista a ocupar a presidência do Conselho Europeu, cargo que assumiu em dezembro de 2024 e cujo mandato termina em maio de 2027.
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