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O Partido Socialista tem de liderar os entendimentos

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O Partido Socialista tem de liderar os entendimentos

O PS tem em José Luís Carneiro o líder certo para o momento que atravessa. A sua postura séria, serena, sensata e competente tem contribuído para recuperar a confiança no Partido e para o afirmar como uma alternativa credível. É um trabalho que merece ser reconhecido. Mas a credibilidade de uma liderança precisa de uma estratégia que lhe dê horizonte e permita transformar confiança em condições efetivas de governação.

O PS tem um longo caminho pela frente. Um caminho das pedras até 2029. Desejavelmente, até 2029. Convém dizê-lo com clareza: o Partido precisa de tempo para reconstruir a sua relação com os portugueses. A estratégia do PS deve ser orientada por esse objetivo, sem se deixar arrastar pelo calendário do adversário ou por pressões de grupos minoritários.

Só com tempo o PS estará em condições de obter uma vitória que seja categórica e que lhe garanta condições de governabilidade.

Claro que, só o tempo não basta. É necessário que o PS conquiste o centro político. E aqui sejamos também totalmente claros: o PS é um partido de esquerda, de centro-esquerda, e deve governar preferencialmente à esquerda; mas conquistar o poder e governar são momentos distintos da mesma responsabilidade política. Para governar segundo esses princípios, é preciso primeiro reunir uma maioria de confiança que ultrapasse o eleitorado tradicional da esquerda, pois que ninguém conquista o poder, em Portugal, sem conquistar o centro.

Acresce a isto que, o contexto político que atravessamos é absolutamente excecional, nunca antes vivido: o panorama político é, hoje, composto por três partidos com força política similar, que se digladiam e se bloqueiam uns aos outros, de modo que nenhum deles consegue só por si governar competentemente. Ora, não tenhamos dúvidas, esta situação de bloqueio, de ineficiência do sistema, beneficia apenas um desses três partidos: beneficia o Chega.

É neste quadro que deve ser compreendida a viabilização, pelo PS, de um Orçamento do PSD, bem como os entendimentos pontuais entre os dois partidos. A viabilização é uma necessidade política neste contexto; a partir do resultado das últimas eleições, qualquer outra veleidade é pura e simples irresponsabilidade. Deixemos de inventar tabus e de confundir combatividade com estratégia política. Uma frente de esquerda que recusasse quaisquer pontes ao PSD e quaisquer condições de governabilidade precipitaria uma crise cujo resultado seria a tomada do poder pelo Chega. Não tenhamos ilusões nem brinquemos com isso! É esse o risco que temos diante de nós. Os bárbaros estão à porta; não sejamos levianos em abri-la.

Combater este Governo onde ele falha, impedir que a extrema-direita beneficie do bloqueio democrático e construir uma alternativa são tarefas que têm de ser cumpridas em simultâneo.

O PS precisa, portanto, de tempo, para conquistar o centro e precisa de saber relacionar-se com o PSD. Deve fazê-lo com inteligência e iniciativa, identificando matérias essenciais ao país e conduzindo os entendimentos necessários para as resolver. A sua intervenção não pode ficar dependente dos assuntos que o Governo escolhe ou do momento em que pede ajuda.

A revisão constitucional é um desses assuntos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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