Movimento em luta no Porto prepara propostas para apresentar à Câmara
João Silveira, do movimento pela habitação que desde sábado se manifesta no Porto, revelou hoje à Lusa estarem a ser preparadas propostas para apresentar à Câmara Municipal "porque a luta tem de ser a todos os níveis".
No dia em que o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, saudou a forma "ordeira" como a manifestação pela habitação na Praça D.
João I decorreu na quinta-feira, o porta-voz do movimento concordou que o tom do autarca mudou, mas pede ações para melhor a vida de quem precisa de casa no Porto.
"Nós esperamos que esse elogio venha com mais do que palavras.
Nós temos reivindicações concretas que queremos que sejam ouvidas e estas reivindicações concretas, ou seja, as quatro que nós já temos falado - mais habitação pública, o fim dos despejos, o retrocesso da lei dos despejos, o fim dos fundos imobiliários - tenham resposta da Câmara", disse.
Segundo o representante dos jovens em protesto, estão a ser preparadas "algumas propostas para apresentar à Câmara", porque o movimento entende que tem de "discutir isto a todos os níveis" e tem "que dar luta a todos os níveis".
Questionado sobre quando irão fazer chegar as propostas ao município, João Silveira afirmou que ainda não consegue avançar uma data, pois estão "ainda a discutir os processos, as modificações específicas e tudo mais".
No imediato, assumiu, a aposta passa por continuarem na Praça D.
João I até terça-feira, sendo também para planear os dias até essa data que vão ter a assembleia popular agendada para este fim de tarde.
Sobre o anunciado replicar das manifestações, no fim de semana, em várias cidades do país, o porta-voz concordou ser um passo em frente na luta que iniciaram no Porto.
Na noite de quinta-feira, a partir das 19:00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve "resistência".
A última concentração deslocou-se, durante alguns minutos, até à Câmara do Porto, em frente à qual o protesto decorreu antes de regressar à Praça D.
João I em que tem decorrido desde que começou.
Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.
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