Mísseis Patriot dos EUA na Europa estão em níveis "além do crítico"
A capacidade dos Estados Unidos e dos aliados da NATO para travar um eventual ataque com mísseis balísticos russos na Europa está sob pressão. Fontes militares norte-americanas e da Aliança Atlântica ouvidas pela Associated Press alertam para uma redução particularmente preocupante dos stocks de intercetores Patriot, depois de meses de utilização intensiva no conflito com o Irão.
Segundo um responsável norte-americano da Defesa destacado na Europa, os arsenais disponíveis para as forças dos EUA no continente estão num nível "além do crítico". A fonte, que falou sob condição de anonimato por se tratar de informação militar sensível, considera que os sistemas atualmente disponíveis não seriam suficientes para enfrentar uma ofensiva balística russa prolongada e poderiam ter dificuldades até perante um ataque isolado.
Os Patriot são um dos poucos sistemas ocidentais capazes de enfrentar alguns dos mísseis balísticos mais sofisticados utilizados pela Rússia. Estes projéteis podem atingir velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som e aproximam-se dos alvos numa trajetória de elevada inclinação, deixando às defesas antiaéreas uma janela muito reduzida para detetar, calcular e intercetar a ameaça.
A atual fragilidade dos stocks europeus resulta de vários fatores, mas a guerra com o Irão terá funcionado como um acelerador. Desde o início do conflito, parte das munições norte-americanas que estavam destinadas à Europa foi transferida para o Médio Oriente , onde os Estados Unidos e parceiros regionais têm recorrido intensivamente a sistemas de defesa antimíssil para responder aos ataques iranianos.
A dimensão do consumo terá surpreendido os planeadores militares. A transferência de Patriot para a Ucrânia desde a invasão russa de 2022 já tinha reduzido os stocks norte-americanos, mas esse desgaste era previsível e integrado nos planos de produção e reabastecimento. O ritmo de utilização no Médio Oriente, pelo contrário, terá provocado uma pressão muito mais rápida sobre as reservas disponíveis e sobre uma cadeia de produção que não consegue aumentar a oferta de forma imediata.
Uma análise do Center for Strategic and International Studies estima que cerca de 65% dos intercetores Patriot norte-americanos - aproximadamente 1.500 de um inventário de 2.330 - tenham sido utilizados durante o conflito com o Irão. A produção deverá aumentar nos próximos anos, mas o reforço significativo da capacidade industrial só está previsto para o final da década.
O problema não é simplesmente a quantidade de sistemas Patriot existentes, mas sobretudo a escassez dos seus intercetores. Uma bateria pode continuar operacional, mas sem munições suficientes perde grande parte da sua utilidade numa situação de combate prolongado.
Existem alternativas europeias, como o SAMP/T desenvolvido por França e Itália, mas estas não oferecem atualmente uma substituição direta e equivalente em todas as áreas de capacidade. A nova geração SAMP/T NG deverá melhorar significativamente o desempenho contra ameaças balísticas, embora ainda não tenha sido testada em combate.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.