Inteligência artificial dita o fim do mundo? — Debate
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Muito bom dia. Primeiro foi um cientista que trabalhava para a Anthropic anunciar que se demitia por considerar que a forma como estamos a desenvolver a inteligência artificial pode matar-nos a todos dentro de uma década. Depois, já este fim de semana, foi o próprio CEO da Anthropic alertar para os riscos da IA e a considerar que se tem de controlar o seu ritmo de desenvolvimento. Elon Musk disse que estava de acordo, o CEO da OpenAI, também. De repente, parece que o otimismo ilimitado deu lugar ao pessimismo catastrofista. Mas o que se passa? Os perigos da inteligência artificial são mesmo reais ou são exageros? E o que se pode fazer para controlar programas que a maior parte de nós nem sequer sabe como funcionam? É isso que vamos debater no Contracorrentes de hoje. José Manuel, bom dia.
Não. Para ser franco, eu sou mais um tecnoptimista do que um tecnopessimista. Portanto, não diria que isso vá acontecer. Aliás, se nós recordamos bem da história e recordarmos o passado, quase sempre que houve grandes transformações, sejam elas quais forem, houve dúvidas, reservas, que ia ser tudo pior. Por exemplo, uma das primeiras foi, e isso é uma coisa que vem relatada em Platão, o Sócrates.
O verdadeiro, o autêntico. Achava que quando chegasse a escrita, destruía a memória. E daria uma sensação falsa de sabedoria. Nós não tínhamos que decorar, porque estava tudo escrito, podíamos consultar. Há um outro momento em que, por acaso, por razões porventura diferentes, há uma inovação muito importante, que é fundamental, por exemplo, na história da Europa, que é a revolução da imprensa. Democratizamos a escrita, no sentido de não ser apenas os manuscritos, mas poder ser de outra forma. E aí o medo era que, de repente, se rompessem os costumes. Isso é uma coisa muito vulgar, mas repara: a chamada imprensa de caracteres móveis, que é a invenção de Gutenberg, é algo que é descoberto na China uns séculos antes. Mas como a China era um poder imperial e centralizado, aquilo não é democratizado. Na Europa, quando Gutenberg aparece, há concorrência entre cidades e Estados, e então ele inclusivamente tem que mudar de país, ou tem que mudar de cidade, digamos assim, para conseguir levar por diante a sua invenção. E depois mudou como mudou. Não teria havido, por exemplo, Reforma Protestante sem a imprensa de Gutenberg, provavelmente. O mesmo podemos dizer dos comboios a vapor. Início do século XIX. Os médicos diziam que velocidades acima de 50 km/h causariam asfixia, loucura e danos cerebrais aos passageiros. Não sei o que seria dos nossos pilotos de Fórmula 1, já nem falo dos aviões, o que lhes aconteceria. E podíamos continuar por aí adiante, a eletricidade, os elétricos, pessoas sendo eletrocutadas se entrasse nenhum elétrico que ia substituir os velhos americanos com cavalos, por exemplo, em Lisboa, e por aí adiante. Portanto, nós temos muitas situações em que há sempre este lado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.