Centenas de milhares no Irão dizem estar prontos para pegar em armas
S egundo o relato da agência Associated Press (AP), largos milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Teerão com uniformes militares e carregando bandeiras, jurando pegar em armas para defender o país dos ataques dos Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro, enquanto a assistência aplaudia, na presença de altos dirigentes da República Islâmica.
Durante vários dias, os meios de comunicação social estatais incentivaram os iranianos a juntarem-se a uma campanha de voluntariado militar, indicando que a formação com armas de assalto começaria em breve.
Os voluntários seriam uma camada adicional de segurança para a Guarda Revolucionária Islâmica, a força ideológica do regime, e para as milícias Basij, que desempenharam um papel central na repressão dos protestos antigovernamentais no início do ano, que resultou em milhares de mortos e detidos.
As estimativas variam sobre o número de pessoas que se voluntariaram para receber treino militar e defender o país, ou "aqueles que sacrificam as suas vidas pelo Irão".
O chefe da Guarda de Teerão, Hassan Hassanzadeh, disse à emissora estatal que mais de 600.000 pessoas se inscreveram para participar, sendo esperados mais de um milhão na formação.
Na manhã de hoje, segundo a agência de notícias Tasnim, mais de 300 mil pessoas estavam nas ruas de Teerão.
O novo responsável das milícias Basij, Hossein Taeb, declarou num discurso no início da manifestação que os voluntários estarão prontos para uma "defesa completa" e que concentrações semelhantes terão lugar noutras cidades em breve.
Os novos recrutas serão "um pesadelo" para os inimigos do Irão, prosseguiu Taeb, enquanto o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, os comandantes militares e vários outros altos dirigentes assistiam à marcha.
Alguns participantes pisaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e outros gritaram "Morte à América" e "Morte a Israel".
"Estou aqui para dizer ao [Presidente dos norte-americano, Donald], Trump que nós, iranianos, não temos medo das suas ameaças contra a nossa pátria", declarou Marzieh Afaghi, 24 anos, que assistiu ao protesto com o filho pequeno e o marido, acrescentando que "ninguém na história conseguiu invadir o Irão e lá permanecer."
O protesto foi também uma oportunidade para o Irão exibir o seu poderio militar.
Baterias antiaéreas estavam em exposição, enquanto membros femininas da Guarda Revolucionária, com lenços pretos na cabeça, se sentavam ao lado de metralhadoras montadas em camiões.
O Governo de Teerão tem procurado mobilizar a população e apelado para a unidade nacional, em pleno agravamento da economia nacional devido ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e novas sanções de Washington, após o colapso das negociações indiretas de paz.
A Guarda Revolucionária exibiu drones que têm sido utilizados contra navios comerciais no estreito de Ormuz, onde os ataques e ameaças militares iranianas afetaram gravemente o tráfego marítimo na passagem marítima que assegurava o transporte de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.
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