Acampada de Lisboa: Polícia e manifestantes contam versões diferentes
A Acampada de Lisboa disse hoje que a resistência "à carga policial" de quem pernoitava no Rossio foi feita de forma "absolutamente pacífica", sem provocação aos polícias, enquanto a PSP garante ter atuado de forma "calma, proporcional e adequada".
Em comunicado publicado na sua pagina da rede social Instagram, a Acampada de Lisboa revela que por volta das 05:45, "enquanto a maioria das pessoas dormia, o corpo de intervenção da PSP apareceu no local onde estava, desde sábado, a decorrer uma acampada para exigir soluções para a crise da habitação".
Segundo o relato sobre a repressão policial, "em menos de 15 minutos, e, ao contrário do que aconteceu simultaneamente no Porto, não dando sequer tempo aos presentes para recolherem os seus pertences, a polícia começou a reprimir aqueles que têm lutado por esta causa tão justa".
O relato prossegue referindo que as pessoas que lá estavam "reivindicando os seus direitos e formavam um cordão humano", foram empurradas "violentamente", fazendo-as cair por cima das tendas, com a polícia a deter "arbitrariamente dezenas de pessoas que se encontravam no local".
"A resistência à carga policial, por parte de quem pernoitava pelo direito à habitação, foi feita de forma absolutamente pacífica, sem registo de qualquer provocação por parte dos que pernoitavam, que, para que não restassem dúvidas, gritaram repetidamente à polícia 'pacíficos', enquanto eram reprimidos", lê-se na publicação.
A versão das autoridades, porém, é diferente, com o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP), Sérgio Soares, em conferência de imprensa, a dar conta aos jornalistas de que as forças de segurança atuaram de forma "calma, proporcional e adequada".
"Foi uma intervenção calma, adequada, proporcional e (…), ao contrário do que já ouvi, não houve qualquer carga policial, não houve uso de bastão policial.
Eu acho que as vossas imagens [dos órgãos de comunicação social] são claras", disse Sérgio Soares.
O responsável adiantou ter havido resistência, "quer passiva, quer ativa", e, tendo em conta uma desobediência à ordem legal de abandono daquele local dada pela PSP, "foi exercida alguma coerção, alguma força".
Quanto à existência de dois feridos entre os participantes na acampada, Sérgio Soares admitiu que "foram em resultado do exercício da coerção da força por parte da PSP", frisando tratarem-se de dois feridos ligeiros, encontrando-se um deles no grupo de 55 manifestantes detidos.
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