Agate quis, Agate foi com tudo, Agate quase encaixou
Um salto, um momento e mais uma presença na final. Sábado foi o primeiro dia de Agate de Sousa em Birmingham, a portuguesa que nasceu em São Tomé e Príncipe e que até começou a sua carreira como velocista dos 100 metros. Foi a partir de 2019 que começou a fazer a transição para o salto em comprimento, ano em que se mudou para a Europa. Desde então começou a evidenciar-se no panorama internacional e, em 2024, foi medalha de bronze em Roma, nos Campeonatos da Europa ao ar livre. No ano seguinte sagrou-se campeã do mundo universitária e, no início deste ano, conquistou o título mais desejado: ganhou o ouro nos Mundiais de pista coberta, em Torún. Foi com esse estatuto que regressou aos Europeus em Birmingham, entrando em cena com a passagem direta à final no primeiro salto, de 7,00 metros, a sua melhor marca do ano e a segunda melhor de toda a qualificação.
Deu mais uma volta e chegou ao que estava destinado: Agate de Sousa sagra-se campeã mundial do comprimento em Pista Curta
“Fiz o salto e não sabia o que tinha feito. Costumo usar a régua no lado esquerdo e aqui é do lado direito. Não percebi. Quando saí, o meu treinador disse que foi nulo. A seguir olhei para o placar e vi sete metros, nem reparei no vento. Eram sete metros e dava para passar, que era o nosso objetivo. Amanhã [domingo] é um outro dia, são as mesmas adversárias e sabemos que elas também treinam e as outras também estão a saltar bem. Tenho de ir com tudo, sabendo que tudo pode acontecer. Eu quero muito a medalha. Se for de ouro, melhor ainda. Mas se não, a vida segue. Os sete metros não garantem uma medalha. Tenho que ir com calma”, disse a atleta de 26 anos do Benfica, que apontou ainda ao recorde nacional, que pertence a Naide Gomes desde 2008 (7,12). A antiga atleta tem, precisamente, as melhores prestações portuguesas na disciplina na competição, tendo conseguido a prata em Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010.
Melhor que a portuguesa esteve apenas a alemã Malaika Mihambo, número um da Europa, que chegou aos 7,10 metros na qualificação. Ainda assim, Agate de Sousa tinha de contar ainda com Larissa Iapichino como adversária, com a italiana a ocupar o segundo lugar no ranking europeu e a deter como recorde pessoal os 7,12 alcançados em julho, que são o recorde de Itália. A prova arrancou a todo o gás, com a alemã a chegar de imediato aos 6,94 e a italiana a saltar para a liderança com 7,00. Agate respondeu de imediato com um salto que a colocou na luta pelas medalhas, de 6,84, e acabou a primeira ronda no quarto lugar, já que Jazmin Sawyers fez 6,95. Depois do nulo no segundo ensaio, a portuguesa fechou a primeira metade da final em cima dos sete metros, ainda que tenha continuado no quarto lugar (6,96).
Larissa Iapichino 7.00 m Hilary Kpatcha 6.98 m Jazmin Sawyers 6.96 m Agate de Sousa 6.96 m Malaika Mihambo 6.94 m
J'espère que vous êtes prêts à passer une soirée sous le sigle de la sérénité #Birmingham2026
“A corrinha está certinha. ‘Bora. Vamos encaixar o salto”, dizia-lhe Mário Aníbal antes da fase decisiva da prova.
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