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11 de Setembro, 25 anos depois: a guerra que a Al-Qaeda perdeu e a Irmandade está a ganhar

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11 de Setembro, 25 anos depois: a guerra que a Al-Qaeda perdeu e a Irmandade está a ganhar

Faz hoje 25 anos que quase três mil pessoas morreram em Nova Iorque, em Washington e num campo da Pensilvânia. Todos os anos, neste dia, lembro-me delas. E de uma lição que o tempo tornou mais nítida: no terrorismo, cada porta que se fecha abre uma janela.

O 11 de Setembro não começou em 2001. Em 1993, Ramzi Yousef já tentara derrubar as Torres Gémeas com um camião-bomba. Em 1998, a Al-Qaeda atacou as embaixadas americanas em Nairobi e Dar es Salaam. Em 2000, o USS Cole, no porto de Áden. E antes do jihadismo sunita houve o precursor xiita, com patrocínio iraniano: o quartel dos Marines em Beirute, em 1983, a AMIA em Buenos Aires, em 1994. Os sinais estavam lá. Faltou lê-los.

Também não acabou em 2001. A reacção resolveu muito. A queda do regime talibã desmantelou o santuário da Al-Qaeda. Os grandes atentados organizados tornaram-se raros. A cooperação entre serviços de informações, polícias e forças armadas mudou de natureza, também em Portugal. Vivi esses anos por dentro. Bin Laden morreu em 2011, Baghdadi em 2019, Zawahiri em 2022. O califado do Daesh caiu. A Europa e os Estados Unidos são hoje mais resilientes e menos vulneráveis.

Mas a reacção, e os aproveitamentos da reacção, criaram outros problemas. O Afeganistão terminou em 2021 com os talibãs de volta a Cabul. O Iraque, invadido em 2003 com um pretexto que não resistiu aos factos, tornou-se, com o desmantelamento do Estado, o viveiro de onde saíram Zarqawi e o Daesh. A Síria somou-lhe a guerra civil, o califado territorial e a vaga de refugiados de 2015. E governa hoje Damasco Ahmed al-Sharaa, o Abu Mohammad al-Jolani que chefiou a Frente al-Nusra, filial síria da Al-Qaeda. É um reconvertido. Pode ter visto a luz, mas um reconvertido é sempre alguém que já foi outra coisa, e isso não se esquece.

O erro tende a repetir-se. Os Estados Unidos atacaram o Irão como um dia atacaram o Iraque, com motivações geoeconómicas, de domínio do Golfo e das rotas globais, apresentadas como securitárias. Aqui a ameaça era real e a questão israelita pesava. Mas a guerra pode reactivar o vector que precedeu todos os outros, o terrorismo de inspiração xiita e iraniana.

Entretanto, a ameaça mudou de pele. As franquias da Al-Qaeda e do Daesh deslocaram-se para o Sahel, para a franja entre a África saariana e a subsaariana, para o Médio Oriente e para a Ásia. Na Europa, na América do Norte e na Austrália, o perigo tornou-se difuso: o lobo solitário, radicalizado em linha, sem comando nem aviso, imprevisível por definição. De Nice a Solingen, o padrão repete-se. E alimenta-se de um terreno preciso, o das comunidades que chegaram em fuga à guerra ou por via económica e que os Estados não souberam, ou não puderam, integrar.

Convém dizer com rigor onde está o perigo, porque é fácil errar o alvo. Ele não está na fé de milhões de muçulmanos que vivem em paz e cumprem a lei. Está numa doutrina específica, o salafismo jihadista e a matriz que o alimenta, que recruta a partir de uma base e engrossa onde a integração não acontece. E a integração não falha por fatalidade cultural. Falha por desenho.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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