Cerâmica e têxtil pedem regresso do Apoiar Gás para travar escalada dos custos de energia
A indústria portuguesa está a entrar numa fase em que o problema da energia já não é apenas o valor da fatura mensal.
É a capacidade de as empresas continuarem a produzir, investir e competir com outros mercados europeus.
É esse o alerta que chega de dois setores fortemente expostos aos custos energéticos — cerâmica e têxtil — que defendem uma resposta semelhante à adotada durante a anterior crise energética: um apoio direto ao custo do gás.
No têxtil, Ricardo Silva, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), identifica a tinturaria e a fiação como os dois segmentos mais intensivos em energia.
“O têxtil é um consumidor intensivo de energia, especialmente na área da tinturaria e da fiação”, explica, referindo-se ao consumo de eletricidade e gás natural nos processos industriais.
O problema, acrescenta, não é apenas a dimensão da subida dos preços, mas sobretudo a sua duração.
“O problema aqui está a ser a longa duração”, afirma o responsável, para quem o choque energético já se transformou numa questão económica para as empresas.
Segundo o presidente da ATP, cerca de metade das empresas que utilizam estes tipos de energia tem contratos fixos, celebrados anteriormente, conseguindo assim alguma proteção face aos picos de preços.
A outra metade está exposta a contratos variáveis e sente diretamente a escalada dos custos.
E a subida tem sido significativa.
“O custo energético neste momento aumentou três vezes”, afirma, comparando os valores atuais com os registados há cerca de um ano ou ano e meio.
Há fábricas a admitir fechar A pressão sobre as empresas já ultrapassa a questão das margens.
Ricardo diz ter recebido na associação relatos de empresas com contratos variáveis que admitem encerrar se não houver uma alteração das condições.
“Já tenho relatos reais de fábricas em contratos variáveis que reportaram na associação que, se não houver uma mudança neste regime energético nos próximos dias ou semanas, vamos fechar portas”, afirma.
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