Sem grandes avanços, “tempo” é o ganho que os investidores querem da reunião entre presidentes dos EUA e China
As cimeiras entre os líderes das grandes potências costumam gerar nervosismo nos investidores , na maior parte das vezes ansiosos por verem um grande acordo que apresente um caminho comum ou que desbloqueie a resolução de um conflito, permitindo ganhos nos ativos.
O resultado da reunião desta quinta-feira, em Washington, entre o presidente americano Donald Trump e o seu homólogo chinês Xi Jinping é, no entanto, desejado de outra forma nos mercados – na improbabilidade de haver um grande anúncio ou acordo, que seja um evento tranquilo que dê mais tempo ao processo de estabilização das relações entre as duas maiores economias do mundo.
Porque é que uma cimeira calma é importante para os mercados? Miha Hribernik, vice-presidente e estrategista-chefe de geopolítica para a Ásia no Deutsche Bank, responde à sua própria pergunta com um olhar para o passado recente.
“Tal como em maio, o nosso cenário-base para a cimeira de 24 de setembro entre os presidentes Trump e Xi é o de uma reunião forte em termos de imagem e sinais positivos, mas com poucos resultados concretos “.
“Embora seja improvável um avanço significativo, uma cimeira tática bem-sucedida num contexto de competição estratégica é o melhor cenário realista: deverá prolongar a estabilidade ao mais alto nível até ao primeiro semestre de 2027 e minimizar, no curto prazo, os riscos de uma dissociação económica , de uma crise de segurança ou de uma guerra comercial disruptiva”, sublinhou.
Ariana Salvatore, responsável pela área de research de políticas públicas nos EUA do Morgan Stanley, recordou que, em maio, os dois lados estabeleceram um quadro para aquilo a que chamam uma relação mais construtiva de estabilidade estratégica.
Esse encontro resultou também na criação de novos diálogos sobre comércio e investimento, em compromissos relativos a compras de produtos agrícolas e aeronaves e num acordo para iniciar um diálogo sobre inteligência artificial.
“Mas a cimeira desta semana acontece num momento importante, uma vez que vários dos acordos temporários que ajudaram a estabilizar a relação económica deverão expirar no final deste outono “, referiu, no podcast Thoughts on the Market, destacando o comércio.
“A atual trégua tarifária entre os EUA e a China deverá expirar em novembro e as informações divulgadas publicamente sugerem agora que os dois governos estão a discutir uma extensão , juntamente com possíveis anúncios sobre agricultura, barreiras não tarifárias e um conjunto relativamente restrito de bens que poderão beneficiar de tarifas mais baixas”.
A questão para os mercados é menos saber se a reunião produzirá um novo acordo comercial abrangente e mais saber se os dois lados conseguirão prolongar o atual período de estabilidade e evitar um novo aumento significativo das tarifas.
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