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Um empatão e um Supremo barraco no Brasil

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Assisti à sessão histórica do Supremo Tribunal de Justiça (STF) brasileiro, que opunha duas fações em guerrilha, no meio do maior escândalo financeiro da história do Brasil e uma campanha eleitoral em aberto, como quem vê um acidente televisionado a desenrolar-se à frente dos nossos olhos.

Imaginem um Big Brother institucional em que os protagonistas, numa guerra frontal, se sentam numa sala imponente, vestem togas e têm de seguir um ritual com salamaleques jurídicos enquanto se agridem verbalmente. A presidir à gala está um desorientado chefe da casa – Edson Fachin, o presidente do STF – a tentar conter danos e evitar uma chacina entre as duas fações guerrilheiras.

De um lado, a ala Xandão. Falo de Alexandre de Moraes, o polémico juiz-estrela que conduziu o processo que condenou Bolsonaro a 20 anos de prisão por tentativa de golpe de estado e que fez frente a Elon Musk. Foi ministro da Justiça de Temer (centro-direita) e por ele escolhido para integrar o tribunal mais importante do Brasil. É odiado pelos bolsonaristas, que veem nele um diabo petista em pessoa, mesmo não tendo diretamente nada que ver com Lula. Está debaixo de fogo por alegado envolvimento com o Vorcaro, e o escritório da sua mulher tinha um comprometedor contrato milionário com o seu banco. Xandão tem ele os juízes Gilmar Mendes, o decano da casa, Cristiano Zanin, e Flávio Dibo.

Impedido de votar por conflito de interesses (por proximidade familiar) estava Dias Toffoli. Sem integrar nenhuma ala, só a pairar por cima como fiel da balança, uma única mulher –a sempre sensata, distinta e humanista Carmen Lúcia, que acabou a pedir desculpa ao povo brasileiro pela vergonha televisionada. Parecia a única consciente da tragédia que ali acontecia.

Em causa na gala deste Big Brother Institucional estava decidir se avançaria uma investigação formal ao ministro Alexandre de Moraes no chamado caso Banco Master e também se seria examinada a legalidade da iniciativa de Mendonça de pedir à Polícia Federal um relatório sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. Debateu-se se ambos os casos deviam ser apreciados conjuntamente. Ouviram-se coisas como “até a máfia tem ética” ou acusações diretas como “O Senhor está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe”.

Na prática, não houve decisão de mérito – “acabou em pizza”, como se diz por lá. Mas uma coisa ficou claríssima perante a opinião pública brasileira, perplexa com todo o enredo, o “bate boca” feio e acusações pesadas: é escandalosa a falta de compostura, os conflitos de interesse evidenciados e a suspeição mútua, com imputações de interferência política do mais alto tribunal da nação.

A imagem da instituição democrática garante da lei e da ordem ficou destroçada. Um Supremo barraco.

O que muitos consideram que foi um dos episódios mais deprimentes da história da república do Brasil – o dia ficou apelidado como “terça-feira sangrenta” – aconteceu no meio de uma campanha para umas eleições renhidas. A mais recente sondagem da Datafolha, publicada ontem, quinta-feira, com trabalho de campo até ao próprio dia mostrava um empatão na primeira e segunda voltas, com uma tendência de subida do Bolsonaro Júnior.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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