Ucrânia: Suspensão das sanções pelos EUA “recompensa e incentiva” Putin, diz Kiev
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou este sábado que a suspensão das sanções, decretada pelo líder dos EUA, “recompensa e incentiva” a política de Moscovo contra Kiev.
“A suspensão das sanções norte-americanas, o alívio da pressão sobre o agressor, as recompensas financeiras para Putin — tudo isto não faz mais do que encorajá-lo a continuar a atacar”, afirmou Zelensky nas redes sociais, apelando aos aliados para que mantenham a pressão sobre a Rússia.
“Numa altura em que a Rússia lançou um ataque tão massivo contra o nosso setor energético, infelizmente, nos Estados Unidos tomou-se a decisão de ignorar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra”, escreveu Zelensky.
A legislação, promulgada no mês passado e batizada em homenagem ao falecido senador Lindsey Graham, visava restringir mais rapidamente o fluxo de recursos financeiros que alimentam a guerra contra a Ucrânia.
“Esta lei poderia ter sido de grande ajuda, e ainda pode sê-lo! Mas tem de ser realmente aplicada, e cada voz que se levante no seu apoio é importante”, sublinhou o chefe de Estado ucraniano, referindo-se à decisão de um projeto bipartidário no Congresso para proibir “o acordo corrupto do Presidente Trump com Vladimir Putin, para comprar e importar gasóleo russo”.
Para Zelensky, “é importante que todos nos Estados Unidos vejam o que realmente está a acontecer” no seu país, acusando a Rússia de “tentar provocar um apagão na Ucrânia mesmo antes do inverno”, para “deixar milhões de cidadãos sem eletricidade nem aquecimento”.
“É necessário exercer pressão para o impedir.
Suspender as sanções norte-americanas, aliviar a pressão sobre o agressor e oferecer recompensas económicas a Putin apenas o encoraja a continuar a atacar”, insistiu.
“Por isso, “não devemos ceder terreno.
Temos de continuar a tentar pôr fim à guerra.
Pôr-lhe fim, em vez de dar a Putin todos os motivos para a prolongar indefinidamente”, salientou, recordando que, na sexta-feira, Moscovo “desencadeou um dos maiores ataques contra o setor energético da Ucrânia”, atingindo mais de 15 instalações críticas de produção e transporte de eletricidade.
Os dois lados envolveram-se numa nova escalada depois de a Rússia ter ignorado a trégua energética anunciada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, que Kiev respeitou durante vários dias.
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