Projeto-piloto prepara utentes por telemóvel para rastreios ao cancro colorretal
Centenas de utentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Alcântara, em Lisboa, vão passar a receber no telemóvel ou no e-mail, a partir do início do próximo ano, informação detalhada sobre os benefícios – mas também sobre os riscos e limitações – dos rastreios do cancro colorretal e do colo do útero.
Algo só possível graças ao DECIDE-SCREEN, uma plataforma digital inovadora que envia auxiliares de decisão antes da consulta, preparando os cidadãos para escolherem de forma livre e consciente em articulação com o médico de família.
Coordenado por Federico Guede, da Value for Health CoLAB - VOH.CoLAB, em parceria com a NOVA Medical School (liderada na vertente médica por Bruno Heleno) e a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental (ULSLO, através da coordenadora Ana Rita Maria), com financiamento da Fundação “la Caixa”, este projeto-piloto quer colmatar a falta de tempo nas consultas e resolver uma lacuna antiga no Serviço Nacional de Saúde (SNS): a ausência de ferramentas em português europeu que ajudem o cidadão a tomar uma decisão verdadeiramente informada.
Fazer um rastreio oncológico não deve ser um ato automático, mas sim uma escolha consciente sobre o que se pode ganhar e que riscos se está disposto a correr.
Apesar de ambos fazerem parte dos programas nacionais de rastreio em Portugal, o cancro do colo do útero e o cancro colorretal vivem realidades opostas: segundo o relatório de monitorização da Direção-Geral da Saúde (DGS) de 2025, enquanto no rastreio do colo do útero a taxa de adesão ronda os 94% entre as mulheres convidadas, no cancro colorretal fica-se pelos 50% nos últimos três anos com dados disponíveis — ou seja, metade da população elegível não chega a fazer o exame.
Federico Guede e Bruno Heleno, e Ana Rita Maria, investigadores principais do projeto DECIDE-SCREEN.
É neste cenário que avança para o terreno, no início de 2027, o projeto DECIDE-SCREEN – Auxiliares digitais para apoiar decisões informadas sobre rastreios oncológicos nos cuidados de saúde primários .
Selecionada na Health Research Call 2026 da Fundação “la Caixa” e coordenada pelo VOH.CoLAB em parceria com a NOVA Medical School e a ULSLO, a iniciativa dá continuidade a trabalhos de investigação desenvolvidos em conjunto com a Escola Nacional de Saúde Pública e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Com um recrutamento previsto de várias centenas de utentes na USF Alcântara ao longo de uma fase exploratória de até seis meses, o projeto conta com o envolvimento direto da ULS de Lisboa Ocidental e dos seus hospitais de referência (Egas Moniz, São Francisco Xavier e Francisco Xavier).
O objetivo a médio prazo é que este piloto sirva de rampa de lançamento para validar um modelo que possa, posteriormente, ser escalado a todo o Serviço Nacional de Saúde.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.