A agenda não mente
O regresso de férias traz sempre consigo o entusiasmo próprio dos recomeços.
Setembro tem, para mim, qualquer coisa de início de um novo ciclo e é com essa sensação que olho para a agenda das semanas seguintes, numa mistura de expectativa e alguma apreensão.
Há reuniões por marcar, assuntos que transitaram de julho, almoços prometidos, projetos que recomeçam e tudo aquilo que, antes das férias, decidimos deixar para setembro.
Em poucos dias, os espaços em branco desaparecem.
Este ano, ocorreu-me olhar para a agenda de outra forma: não apenas como um instrumento de organização do tempo, mas como um retrato daquilo a que, na prática, estou a dar importância.
E o retrato nem sempre corresponde àquele que gostaríamos que fosse.
Podemos dizer que queremos pensar mais estrategicamente e passar os dias em reuniões operacionais, afirmar que as pessoas são uma prioridade e adiar as conversas com a equipa, querer estar mais próximos dos clientes e ter semanas sem um encontro com nenhum deles, defender a importância de reservar tempo para pensar ou aprender e permitir que esses sejam sempre os primeiros espaços a desaparecer perante uma urgência.
Ao longo dos anos, tenho observado como gerir o tempo se torna mais difícil à medida que aumentam as responsabilidades.
Quanto mais elevado é o cargo numa organização, mais solicitações parecem exigir atenção imediata e tomada de decisão, e maior é o risco de deixarmos que sejam os outros, ou as circunstâncias, a decidir como ocupamos o nosso tempo.
Uma agenda cheia pode transmitir uma sensação de produtividade, mas estar ocupado não significa estar focado no que é mais importante.
Por vezes, significa precisamente o contrário.
Podemos passar os dias a responder ao que é urgente e chegar ao fim de uma semana sem termos dedicado tempo suficiente ao que verdadeiramente consideramos prioritário.
Gerir uma agenda é, no fundo, fazer escolhas, e escolher implica renunciar.
Aceitar uma reunião é decidir não utilizar aquela hora para outra coisa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.