Volkswagen alerta para necessidade de cortes profundos antes de reunião decisiva
O presidente executivo (CEO) do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, alertou que os problemas enfrentados pelo setor automóvel vão intensificar-se nos próximos anos, sublinhando a necessidade de cortes de custos profundos para garantir a sobrevivência da maior fabricante automóvel da Europa.
As declarações, citadas pela Reuters, surgem num momento em que a empresa se prepara para semanas de negociações cruciais sobre o seu plano de reestruturação.
Numa entrevista publicada na rede interna do gigante alemão e noticiada este domingo pela agência de notícias AFP, Oliver Blume afirmou que a Volkswagen e o restante setor automóvel alemão enfrentam “a maior transformação da sua história”, descrevendo a situação atual da empresa como “mais do que crítica”.
O CEO assinalou que as margens de lucro atuais, situadas abaixo dos 4%, são insuficientes para financiar a longo prazo o desenvolvimento de novas tecnologias, o lançamento de novos produtos e a manutenção dos locais de produção.
A construtora alemã enfrenta uma pressão tripla causada pela forte concorrência dos fabricantes chineses na Europa, pela queda dos lucros no mercado chinês e pelas penalizadoras tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.
A este cenário somam-se custos operacionais fixos mais de 30% superiores aos da concorrência e problemas graves de excesso de capacidade.
Segundo Blume, quatro fábricas na Alemanha — Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm — não deverão atingir níveis competitivos de utilização da sua capacidade produtiva durante a década de 2030.
A empresa encontra-se assim no processo daquela que poderá ser a maior reestruturação da sua história, podendo avançar para a separação de divisões e novos cortes de pessoal.
Embora fontes do setor apontem para a eliminação de até 50.000 postos de trabalho adicionais a nível global, o CEO esclareceu no memorando interno que este número não representa uma meta fixa, mas sim um indicador da escala de ação necessária.
Segundo a AFP, a empresa alemã já está a operacionalizar os despedimentos, tendo chegado a acordo com 37 mil funcionários até ao momento.
O conselho de supervisão do grupo reúne-se no próximo dia 4 de setembro para analisar o plano de recuperação.
Apesar de arrancar com uma ronda de visitas às instalações mais vulneráveis, a liderança da Volkswagen garante que ainda não foram tomadas decisões definitivas quanto ao encerramento de fábricas
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