Marrocos: Familiares de presos sarauís denunciam más condições em prisões
Familiares de vários independentistas sarauís detidos em Marrocos denunciaram hoje as más condições de encarceramento e restrições às visitas, alertando para a deterioração do estado de saúde de alguns deles devido às repetidas greves de fome.
Os detidos pertencem ao chamado "Grupo de Gdaim Izik", cujos membros foram condenados, em 2017, a penas até 30 anos de prisão pela morte de 11 agentes marroquinos durante o desmantelamento, em 2010, de um acampamento de protesto sarauí em Gdaim Izik, nos arredores de El Aaiún, capital do Saara Ocidental.
"Estamos hoje aqui porque os nossos familiares estão doentes, debilitados e dispersos por diferentes prisões e, em muitos casos, privados de visitas e de comunicação com os seus entes queridos", afirmaram as famílias num comunicado conjunto, lido durante uma conferência de imprensa 'online'.
As famílias explicaram que, a 23 de setembro, nove presos do grupo – dos 24 que continuam encarcerados – iniciaram uma greve de fome para exigir o respeito pelos seus direitos fundamentais, o fim do isolamento, o acesso a cuidados médicos adequados e o fim da dispersão prisional, que os mantém afastados das famílias e do território do Saara Ocidental.
Cinco dos presos mantêm-se em greve de fome e o seu estado de saúde deteriorou-se.
Apesar disso, segundo as famílias, as autoridades marroquinas restringem as visitas e interrompem as comunicações.
As famílias denunciaram, por exemplo, o caso de Husein Zaui, condenado a 25 anos de prisão, cujo estado de saúde é "profundamente preocupante", uma vez que sofre de problemas renais, asma e hipertensão arterial, patologias que "se agravaram ao longo dos seus muitos anos de encarceramento".
Segundo as famílias, a mulher de Husein Zaui conseguiu visitá-lo quando este iniciou a greve de fome, mas as autoridades marroquinas impediram posteriormente que as filhas o visitassem.
Ahmed Sbaai, condenado a prisão perpétua e afetado por doenças cardíacas e renais, recebeu várias visitas da irmã, que se deslocou novamente na quarta-feira à prisão de Kenitra, a norte de Rabat, tendo então constatado que o irmão tinha sido transferido para um hospital sem que a família tivesse sido informada.
As famílias denunciaram ainda que Marrocos impediu, na segunda-feira, a entrada no país da advogada francesa Claude Mangin, mulher do preso Naama Asfari, condenado a 30 anos de prisão.
A 24 de julho, Asfari, de 56 anos, suspendeu uma greve de fome ao fim de 46 dias, durante a qual exigiu uma revisão das suas condições de encarceramento, cuidados médicos adequados e a transferência para uma prisão no território do Saara Ocidental.
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