Talibãs acusam Paquistão de novos ataques e morte de três civis
"Na noite passada, o exército paquistanês invasor bombardeou zonas civis do Afeganistão. Em Kunar, uma mulher e dois homens morreram, e duas mulheres e dois homens ficaram feridos; eram todos residentes locais", declarou na rede social X o porta-voz oficial dos talibãs.
Numa mensagem publicada na rede social, Zabihullah Mujahid prometeu que Cabul dará uma resposta adequada à agressão.
"Às 03:30 [meia-noite em Lisboa], jatos paquistaneses realizaram um bombardeamento no distrito de Nurgal, na província de Kunar (leste), matando três civis e ferindo outros quatro", confirmou à agência de notícias France-Presse (AFP) o porta-voz da polícia de Kunar, Farid Dehqan.
A ofensiva paquistanesa surge três dias depois de um ataque contra um quartel-general da polícia em Kohat, no norte do Paquistão, ter causado pelo menos 31 mortos, incluindo 16 agentes da polícia.
"Pelo menos 31 pessoas, incluindo 16 polícias, morreram e mais de 100 ficaram feridas até ao momento neste ataque (...) e atentado suicida", disse uma fonte policial, não identificada, à AFP.
Uma explosão ocorreu na tarde de sexta-feira no interior do histórico complexo policial de Kohat, cidade com cerca de 220 mil habitantes situada na província de Khyber Pakhtunkhwa, com trocas de tiros entre os atacantes e a polícia no local a prosseguirem até hoje.
O complexo funciona como quartel-general distrital da polícia e alberga os principais escritórios do Departamento de Combate ao Terrorismo (CTD), da Brigada Especial e de várias outras unidades policiais.
O grupo local Ittehad-ul-Mujahideen Pakistan, uma fação ligada ao movimento fundamentalista islâmico Tehreek-i-Taliban Pakistan (TTP), reivindicou a autoria do ataque na província de Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão.
Segundo uma fonte policial, que falou sob condição de anonimato, após a explosão vários atacantes permaneceram entrincheirados na secção da Brigada Especial do complexo policial de Kohat.
O Paquistão atribuiu o aumento dos ataques em Khyber Pakhtunkhwa e na província fronteiriça do Baluchistão ao crescimento da atividade militante proveniente do Afeganistão, acusação rejeitada pelas autoridades talibãs afegãs.
As divergências entre os dois países provocaram um agravamento das tensões diplomáticas e confrontos armados na fronteira, tendo o Paquistão realizado vários bombardeamentos que, segundo Islamabad, visaram grupos armados em território afegão.
O Governo talibã em Cabul e as Nações Unidas deram conta de dezenas de civis mortos nos mais recentes ataques aéreos paquistaneses no leste do Afeganistão, realizados em junho deste ano.
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