Casal francês assassinado em Lagos. "Gentis e com coração de ouro"
A notícia de um duplo homicídio que ocorreu em Lagos, no Algarve, já chegou a França e está a chocar o país. As vítimas, Jean-Marie Grenier e Milena, eram franceses mas moravam há vários anos em Portugal. Foram mortos num "quadro de extrema violência", como descreveu a Polícia Judiciária (PJ), no passado dia 11 de setembro, pelo caseiro, entretanto detido e colocado em prisão preventiva .
Ao Le Parisien, a ex-enteada de Jean-Marie Grenier, Delphine, mostrou-se devastada. O ex-campeão de rali, de 79 anos, era "um segundo pai".
"Ainda nem acredito que aconteceu. É inacreditável", disse ao jornal francês, contendo um soluço. "Jean-Marie era como um segundo pai para mim, um pilar, um apoio", continua a mulher de cinquenta e poucos anos, que perdeu o pai biológico há apenas três meses.
E com razão. Jean-Marie Grenier foi seu padrasto durante quase quinze anos. O osteopata começou a viver com a mãe de Delphine quando esta tinha 14 anos e só se separaram quando já tinha 30.
Depois de alguns anos a morarem juntos em Cahors, em França, o casal mudou-se para Lagos. Delphine tinha 17 anos. Inicialmente, a jovem ficou em França mas aos vinte e poucos anos acabou por se juntar a eles.
Apesar de se terem, entretanto, separado, há cerca de duas décadas, os dois "mantiveram um relacionamento muito bom", lembra Delphine, que visitava regularmente o ex-padrasto e, mais tarde, também Milena, em Portugal, onde o casal francês tinha uma clínica há cerca de dois anos.
"Eles eram gentis, genuinamente gentis, generosos, com corações de ouro. Eram semelhantes na sua bondade, amavam a vida e, acima de tudo, amavam as pessoas", explicou Delphine ao Le Parisien, com a voz embargada.
"Nunca ouvi Jean-Marie falar mal de ninguém. A sua porta estava sempre aberta para todos. Ele amava a vida, era um 'bon vivant', um epicurista, alguém sempre positivo. Era um bom homem, às vezes até bom demais”, continuou ex-enteada.
Nessa altura, o caseiro, entretanto identificado pelo Le Parisien como Natalino C., tentou acelerar o processo de decomposição dos cadáveres com produtos químicos.
Ao jornal francês Delphine revelou que Jean e Milena, de 62 anos, conheceram Natalino há sete anos. Desde 2019 que o brasileiro trabalhava para eles como segurança. Foi contratado depois de o casal ter sido "violentamente atacado" por homens "mascarados e armados", durante um assalto à sua casa, em 2019.
"Naquele dia, eles poderiam ter morrido, mas conseguiram escapar. Conseguiram defender-se. Milena ainda ficou ferida num joelho. Mas, milagrosamente, eles sobreviveram", contou a ex-enteada de Jean-Marie, lembrando que Natalino foi então contratado para "vigiar a casa, como guarda-costas, mas também para pequenas tarefas diárias e de manutenção".
Delphine já tinha ouvido falar de Natalino várias vezes "mas, infelizmente, não de uma forma positiva". Segundo ela, vários amigos próximos aconselharam o casal a "livrar-se" do zelador, que morava num apartamento-estúdio no jardim da propriedade. "Ele não inspirava confiança", acrescentou, descrevendo-o como um homem "muito intrusivo", que usava drogas.
As razões que levaram Natalino C.
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