Milhares avisam que custo de vida "não é uma crise, é uma emergência"
Milhares de pessoas saíram hoje à rua em Lisboa para protestar contra o aumento do custo de vida, numa manifestação feita por quem tem dificuldades em pagar as contas e garante que "isto não é uma crise, é uma emergência".
O protesto, convocado pela plataforma "Não dá mais para viver assim", estava marcado para as 17:00 no Largo do Intendente, mas muito antes da hora prevista já se concentravam dezenas de participantes no local.
O silêncio inicial deu lugar a palavras de ordem como "Montenegro [primeiro-ministro], quero ter um salário para a casa e para viver" e, em menos de meia hora, os manifestantes passaram de poucas centenas para vários milhares.
O largo encheu-se de pessoas de diferentes idades, muitas delas transportando cartazes que denunciavam a dificuldade em arrendar casa, os baixos salários e a degradação das condições de vida.
Entre as mensagens erguidas acima da multidão liam-se frases como "Menos turismo.
Mais bairro", "+ habitação e - especulação" ou ainda "Isto não é uma crise.
É uma emergência".
Durante cerca de três horas, os participantes percorreram o trajeto entre o Largo do Intendente e o Largo de São Domingos, junto ao Rossio, acompanhados pelo olhar atento de dezenas de agentes policiais.
A manifestação decorreu de forma pacífica com palavras de ordem dirigidas ao Governo e à política económica do país e com cartazes em que se lia "Se não há justiça para o povo, que não haja paz para o governo".
Entre os protestantes estava Ana Mendes, de 35 anos, que hoje participou pela primeira vez numa manifestação.
Vive num quarto alugado que lhe custa mais de metade do ordenado.
Ana Mendes nasceu em Cascais e, apesar de ter uma licenciatura, trabalha num call center e recebe apenas o salário mínimo.
O ordenado mal dá para pagar a renda de 450 euros do quarto do apartamento em Chelas, que partilha com outros dois casais.
Ao longo da manifestação multiplicaram-se exemplos semelhantes.
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