O terreno onde a mentira pega
Nas eleições de 6 de Setembro, na Saxónia-Anhalt, a AfD de Ulrich Siegmund fez 43,8% e a CDU caiu para 17,2%.
A participação subiu de 60 para quase 77%: não foi a abstenção a decidir, foi mobilização.
O candidato tem 35 anos, TikTok e sorriso permanente, e promete extinguir, mal chegue ao poder, o serviço de informações que classificou aquele ramo do partido como comprovadamente extremista.
Vale a pena parar nesse pormenor, porque é ele que revela a natureza da coisa: primeiro convence-se, depois apaga-se quem mede.
E chega-se ali por um caminho que não é feito de mentiras isoladas, mas de um terreno preparado durante anos.
Tenho escrito nas últimas semanas sobre a mensagem e sobre o canal: um texto pró-russo que circula nas redes e a facilidade com que material do mesmo género entra pela porta da frente dos media.
Falta o terreno onde a mensagem cai.
Nenhuma mensagem pega em terra estéril: a desinformação não cria crenças, encontra-as, e é por isso que a mesma operação funciona num país e falha no vizinho.
Convém então dizer o que é incómodo dos dois lados.
As queixas que alimentam este voto são reais.
A desindustrialização do Leste alemão foi real.
A insegurança em certos bairros é real.
O preço da habitação é real.
A sensação de não se ser representado é real e fundamentada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.