Joaquim contra Joaquim: Ministro silencia Cronista
Há livros que envelhecem mal, perdendo atualidade.
E há livros que envelhecem demasiado bem.
O dilema suscitado por “ Crónicas de um País Estagnado ”, publicado por Joaquim Miranda Sarmento em 2023, é pertencer à segunda categoria.
Com efeito, o livro continua atual porque Portugal, entretanto, não dá sinais de resolver os problemas estruturais que o autor identificava.
A questão é que, desde abril de 2024, o autor ocupa um cargo que lhe deveria permitir, pelo menos em tese, contribuir para a resolução desses problemas.
Nos dois anos e alguns meses que leva à frente do Ministério das Finanças, seguramente não seria possível mudar tudo, para ser justo, mas poderia, pelo menos, ir no sentido das ideias que defende no livro e distanciar-se de algumas das práticas que mais criticou aos seus antecessores.
Nenhum Ministro consegue resolver, em tão pouco tempo, problemas estruturais acumulados durante décadas.
Mas pode imprimir uma direção reformista consistente, remover alguns dos principais bloqueios ao crescimento e evitar decisões que contribuam para perpetuá-los ou agravá-los.
O recente reforço da intervenção do Estado na economia constitui, aliás, um dos exemplos mais expressivos da incoerência entre o discurso anterior e as opções entretanto assumidas enquanto Ministro, ainda que, neste caso, de forma implícita, em virtude do silêncio mantido sobre a matéria até ao momento em que esta crónica foi escrita.
O tema deste texto é precisamente analisar o contraste entre o diagnóstico académico de Joaquim, o Cronista, e a ação de Joaquim, o Ministro, que tem a seu cargo uma das pastas mais importantes em qualquer governo.
Este tema é relevante porque ajuda a perceber o desfasamento entre o que prometiam os programas eleitorais que elegeram os governos desta AD e o que tem sido o exercício governativo nos últimos dois anos.
Na contracapa do livro, uma coleção de crónicas suas desde 2016, Miranda Sarmento explicou por que escolhera aquele título (…) Na análise que se segue focar-me-ei em cada um desses aspetos para demonstrar a incoerência entre o discurso do Cronista e a ação do Ministro.
Na contracapa do livro, uma coleção de crónicas suas desde 2016, Miranda Sarmento explicou por que escolhera aquele título.
A realidade das duas décadas anteriores, escreveu, era a de uma economia estagnada com baixa competitividade e produtividade, graves desequilíbrios nas Finanças Públicas, problemas na despesa e na dívida públicas, uma elevada carga fiscal e um país progressivamente mais empobrecido e desigual no contexto da União Europeia (UE).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.