Medvedev defende controlo da Nestlé e Auchan: "Só entendem força bruta"
O ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do País, Dmitry Medvedev, defendeu, este sábado, a decisão de colocar sob controlo temporário ativos de empresas europeias.
Em causa está o facto de os ativos da suíça Nestlé, da francesa Auchan e do grupo Leroy Merlin, rebatizado Le Monlid em 2024, na Federação Russa terem sido transferidos para uma mesma sociedade russa. A medida foi contestada por França , com os ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros a pedirem a Moscovo para reverter a decisão em relação à francesa Auchan.
O ex-presidente russo lembrou que foram os países europeus que "impuseram sanções totais às empresas" da Rússia, "atingindo os interesses de milhões de cidadãos russos" e "proibindo até os laços culturais" com o país.
E atirou: "Estão a travar uma guerra direta contra a Rússia, fornecendo ao nosso adversário tudo o que podem - desde mísseis e informações de inteligência até financiamento direto para sustentar o poder bandeirista".
"E agora, vejam só, as empresas deles são uma vaca sagrada. Não toquem na Nestlé, na Auchan e noutras empresas que nos proporcionavam receitas consideráveis", ripostou. "Até a administração temporária, determinada por decreto do presidente, provocou uma onda de pânico entre os governos europeus".
Medvedev foi mais longe e considerou que, "por uma questão de princípio", a Rússia "deveria ir além da administração temporária dos ativos estrangeiros", lembrando "os primeiros decretos do poder soviético, com base nos quais fábricas e empresas estrangeiras foram compulsivamente e sem qualquer compensação confiscadas e transferidas para a propriedade do Estado e ninguém devolveu nada a ninguém".
"Afinal, tal como há 100 anos, estes euro-miseráveis só entendem a força bruta", atirou.
Na quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que autoriza a empresa russa L.E.V. Management a assumir temporariamente o controlo dos ativos da Nestlé e da Auchan. Medida similar foi adotada sobre as ações da cadeia de lojas Le Monlid, que anteriormente operava em território russo sob a marca Leroy Merlin.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a decisão afeta empresas de países que a Federação Russa considera "inamistosos".
Entre os fatores considerados, detalhou, estão o apoio dos Estados em causa à Ucrânia e ao seu alegado envolvimento em ataques contra infraestruturas civis críticas russas.
Peskov realçou que, por enquanto, trata-se apenas do "estabelecimento do controlo temporário" dos ativos, acentuando que não se adotaram outras decisões sobre a sua eventual transferência ou venda à empresa encarregada de as gerir.
Os ativos na Federação Russa da suíça Nestlé, da francesa Auchan e do grupo Leroy Merlin, rebatizado Lemana Pro em 2024 neste país, foram transferidos para uma mesma sociedade russa, segundo um decreto de Vladimir Putin publicado hoje.
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