quinta-feira, 27 de agosto de 2026 PortaisSobre🌓
🇵🇹 PT ▾
ÚLTIMA HORA
01h Carris tem nova página na internet sobre ascensores Detido adolescente suspeito de planear ataque terrorista na Noruega Trump declara emergência nacional para rede elétrica em medida que visa a China Tribunal russo ordena detenção de jornalista alemão por suposta incitação ao ódio Atropelamento no noroeste de França deixa pelo menos um morto e 12 feridos Presidente cipriota e líder cipriota turco aceitam realizar reuniões semanais 00h Aprovado novo medicamento para cancro do pâncreas, nos EUA As notícias da 1h Mendes avisa que não se pode viver em "campanha eleitoral permanente" e pede entendimentos mínimos Exército dos EUA destina 1,89 mil milhões de euros para construção de pequenos reatores nucleares 01h Carris tem nova página na internet sobre ascensores Detido adolescente suspeito de planear ataque terrorista na Noruega Trump declara emergência nacional para rede elétrica em medida que visa a China Tribunal russo ordena detenção de jornalista alemão por suposta incitação ao ódio Atropelamento no noroeste de França deixa pelo menos um morto e 12 feridos Presidente cipriota e líder cipriota turco aceitam realizar reuniões semanais 00h Aprovado novo medicamento para cancro do pâncreas, nos EUA As notícias da 1h Mendes avisa que não se pode viver em "campanha eleitoral permanente" e pede entendimentos mínimos Exército dos EUA destina 1,89 mil milhões de euros para construção de pequenos reatores nucleares
Últimas

Ontem, hoje e amanhã

Observador ·
Ontem, hoje e amanhã

Nos Maias , em 1888, Eça de Queiroz resumiu o país explicando que, em Portugal, a civilização, tal como tudo o resto, se importa do estrangeiro. Apenas que depois, porque não foi feita para nós, tal como os fatos desenhados à medida de outrem, fica curtinha nas mangas. Em seguida, através de João da Ega, Eça remata ressalvando o essencial: porque é importada, ou seja, não é criada por nós, sai-nos caríssima em portes alfandegários. Por outras palavras, resume-se aquilo que os políticos mais afoitos ainda hoje chamam de uma crónica “falta de produtividade”.

De facto, esta ideia das mangas curtas, coisa própria da imitação provinciana, infelizmente, aplica-se como uma luva, esta já bem medida e servida, ao Portugal político e mediático que, a expensas do povo que vai rojando alienado da realidade, vive, mais do que de outra coisa qualquer, da imitação saloia deslumbrada com o progresso que, como Pulido Valente relembrava em 1990 na sua colectânea Às Avessas, apenas revela o vazio de quem, ao invés de se afirmar por aquilo que é, imagina-se resolvido fingindo ser aquilo que não é.

Infelizmente, é prática generalizada. No mundo das “figuras públicas” — o ícone máximo do sucesso social no Portugal contemporâneo —, os estrangeirados retornam imitando o estrangeiro “lá de fora” que “lhes deu mundo” e “abriu as vistas”, os arrivistas imitam aqueloutros que, por nascimento ou antecedência, já lá estão sentados à mesa do clube, os (bons) alunos imitam os professores — os maus nem sequer isso —, os políticos da juventude partidária imitam os já alçados à Assembleia, estes os da fila da frente que aparece na televisão e estes últimos os da televisão estrangeira.

Do lado de fora, e porque o mal é geral, nas feiras copiam-se as marcas, nos cafés as opiniões da TV, nos restaurantes da moda as receitas internacionais. Até nos nomes dos filhos, tal como nas roupas, nos carros e nas moradas, se copiam os das personagens das telenovelas. O colunista reescreve normalmente aquilo que leu no NY Times, o comentador repete o que ouviu no X de um “internauta” que cita o Economist, tal como o jornalista pergunta simplesmente o que lhe escreveram no teleponto, ditam no auricular, ou lhe exigiram na redacção.

Na universidade, a arte da imitação refina com o afinco que se cita com orgulho o que se escreveu “lá fora”. Em boa verdade, não é preciso escrever, ou sequer pensar, algo de original — pelo contrário, o triunfo advém de se colar o mais possível “ao que de melhor lá fora se faz”. O douto académico que bota faladura, apesar de já não ser aquele que, perante a questão, cospe nos dedos e, depois de os passar pela brilhantina, pondo as mãos no colete, de queixo levantado, cita o enorme académico que o precedeu, apesar de trajar moderno, casual como se diz em inglês, não deixa de pensar da mesma forma e fazer parte de uma enorme corrente que nos últimos 200 anos, por se propor a modernizar e alfabetizar as “elites” nacionais, granjeou o prémio maior de serem apenas conhecidos pelos seus dois apelidos.

Entretanto, aqui há novidade.

Ler a notícia completa no Observador ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

Mais de Observador

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›