Luís Montenegro e o “momento difícil” que vivemos: o que podemos esperar
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, falou esta quinta-feira ao país para explicar as medidas aprovadas pelo Governo para combater o “momento difícil” causado pelo aumento dos preços dos combustíveis.
A situação, apontou, é provocada por “guerras que não controlamos”.
E admitiu que a situação “pode prolongar-se” e mesmo “agravar na próxima semana”.
O que está na origem O principal fator é a guerra no Médio Oriente, que envolve Estados Unidos, Israel e Irão, e que provocou: Restrições ou bloqueios no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte muito significativa do petróleo e gás comercializados mundialmente; Ataques a infraestruturas energéticas e rotas de exportação; Interrupções no oleoduto saudita Leste–Oeste e no terminal de Yanbu, uma infraestrutura estratégica que permite transportar crude até ao Mar Vermelho sem atravessar o Estreito de Ormuz.
Subida do petróleo Brent para valores superiores a 100 dólares por barril; Maior volatilidade nos preços do petróleo, gás, transportes marítimos e seguros.
Porque falou Montenegro especificamente na “próxima semana” Os preços praticados nos postos portugueses não acompanham instantaneamente a cotação diária do petróleo.
Resultam das cotações médias internacionais dos produtos refinados – gasolina e gasóleo – e da taxa de câmbio, com algum desfasamento.
Assim, mesmo que o petróleo esteja agora a recuar ligeiramente, a subida registada nos dias anteriores poderá refletir-se nos preços dos combustíveis a partir de segunda-feira.
Foi nesse contexto que o Governo apresentou apoios adicionais aos transportes de mercadorias e passageiros, táxis, bombeiros e instituições sociais.
Como se transmite o aumento dos combustíveis à economia Combustíveis mais caros aumentam os custos dos transportes; Transportes mais caros encarecem alimentos, distribuição, construção e indústria; Empresas com margens reduzidas transferem parte dos custos para os preços; A inflação pode voltar a subir; Famílias perdem rendimento disponível; Uma inflação mais persistente pode levar os bancos centrais a manter juros elevados durante mais tempo.
A afirmação de Montenegro deve ser lida com alguma cautela Trata-se de uma previsão baseada na transmissão das cotações internacionais para os preços domésticos e no risco geopolítico.
O petróleo recuou nos últimos dias com a expectativa de recuperação parcial das exportações sauditas e de avanços diplomáticos.
O Brent continuava, contudo, acima dos 100 dólares e permaneciam riscos no Estreito de Ormuz e nas restantes rotas da região.
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