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Calor, desejo, ciúmes e morte na Riviera francesa

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Calor, desejo, ciúmes e morte na Riviera francesa

Rodado no Verão de 1968, quando o cinema francês sofria ainda os efeitos da agitação social de Maio, A Piscina , de Jacques Deray, relançou a carreira de Romy Schneider, imposta ao produtor Gérard Beytout por Alain Delon, seu ex-namorado (“Não estou a ver a Sissi em biquini”, dizia aquele), e deu a Jane Birkin o seu primeiro papel significativo no cinema (ela estava então com o ciumentíssimo Serge Gainsbourg, que disse publicamente que “partia a cara” a Delon se ele se metesse com Birkin); e ao estrear-se, em 1969, fechou com chave de ouro, e overdose de cloro e de sensualidade estival, a década de 60 do cinema francês (esta foi também a primeira de nove colaborações entre Delon e Deray, que incluiriam títulos como Borsalino , Flic Story ou Três Homens a Abater , e graças ao filme, Schneider obteria o papel principal de As Coisas da Vida , de Claude Sautet, em 1970).

O filme passa-se durante um Verão muito quente, na Riviera francesa, na vivenda com piscina onde moram Jean-Paul (Delon), escritor frustrado e publicitário, e Marianne (Schneider). A tranquilidade do casal é interrompida pela chegada de Harry (Maurice Ronet), que enriqueceu no negócio dos discos e é velho amigo de Jean-Paul e ex-amante de Marianne, e da sua filha, a tímida e esquiva Penélope (Birkin). Começa então a desenrolar-se um enredo tecido de ciúmes, inveja, desejo e desconfiança entre o quarteto, funcionando a piscina imaculadamente azul como quinta personagem, testemunha muda dos acontecimentos, e com dimensão simbólica (Penélope nunca nadará nela, frisando a inocência que, apesar de tudo o que sucede em seu redor, consegue manter) e que irá ter um papel decisivo no conflito surdo entre Jean-Paul e Harry.

Com um argumento escrito por Jean-Claude Carrière, todo ele em caracterização indirecta , assente em olhares, gestos, sugestões, não-ditos e elipses, e tão parcimonioso em diálogos como as personagens em roupas (e à medida que o mal-estar e a tensão sexual entre elas aumentam, mais se vestem), A Piscina tem uma realização lânguida mas rigorosa de Deray, soberbas interpretações de Delon, Schneider (a fortíssima ligação emocional ainda existente entre ambos é palpável), Ronet e Birkin, e uma banda sonora de Michael Legrand ora jazzy, ora insinuante de erotismo, até à conclusão amoral em que o relógio à prova de água de Jean-Paul terá um papel fundamental, face às suspeitas do inspector Lévêque (Paul Crauchet, um dos mais típicos “secundários” do cinema francês), e a força da relação entre aquele e Marianne irá ser posta à prova. (A versão inglesa da fita tem um final “moral”, que foi mantido nas posteriores edições em DVD e Blu-ray).

Além de ser a melhor reposição deste Verão (faz parte do trio de estreias/reposições de Agosto da Midas, com A Saga de Anatahan , de Josef von Sternberg, e Soy Cuba , de Mikhail Kalatozov), A Piscina (estreou-se em Portugal durante a chamada “Primavera marcelista”, causando sensação devido à nudez de Romy Schneider e aos escassos cortes feitos pela Censura) é também muito superior à maior parte das estreias da estação — e ao que o cinema feito em França nos tem proposto recentemente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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