CEMGFA diz que decreto com regras do SAFE "está clarinho" e afasta polémicas
O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) defende que o processo de aquisição de equipamentos através dos empréstimos europeus SAFE "está clarinho" na lei, desvalorizando polémicas como a relacionada com as fragatas para a Marinha.
"Se formos a este decreto-lei, está lá tudo bem clarinho como é que este investimento do SAFE vai ser feito. Acho que talvez exista demasiada polémica para aquilo que já está definido e que está dito como vai ser feito, como vai ser acompanhado e como vai ser executado", defendeu o general João Cartaxo Alves, em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que tomou posse.
Portugal tem em marcha um dos maiores investimentos em Defesa em democracia, equivalente a uma segunda Lei de Programação Militar (LPM): os empréstimos europeus do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE).
Em causa está um investimento na ordem dos 5,8 mil milhões de euros que inclui a aquisição de fragatas, satélites, blindados, sistemas antiaéreos, sistemas de artilharia, drones e munições, sendo que o país passará a produzir alguns destes equipamentos.
Recentemente, o negócio em torno da aquisição de três fragatas de nova geração a Itália (com um custo na ordem dos 3,9 mil milhões de euros e chegada prevista em 2029) gerou controvérsia, com partidos como o Chega ou o PS a criticar a forma como o Governo tem conduzido o processo SAFE, com acusações de opacidade e apelos a uma maior transparência.
Cartaxo Alves distanciou as Forças Armadas de polémicas e defendeu a transparência do modelo adotado.
"Há um nível político que é orientado por quatro ministérios diferentes, em termos de coordenação, de orientação política dessa execução. Depois tem um órgão técnico, que está no Ministério que tem essa tutela, que é o Ministério da Defesa, coadjuvado também pela entidade técnica das finanças e a entidade técnica do orçamento. E depois ainda tem uma comissão de auditoria", argumentou.
O general fazia referência à Comissão de Acompanhamento dos Investimentos na Defesa (CAID) -- composta por elementos dos Negócios Estrangeiros, Finanças, Economia e Coesão Territorial e Defesa Nacional - e à Comissão de Auditoria e Controlo do SAFE (CAC-SAFE), órgão responsável pela fiscalização, ambos criados pelo Ministério da Defesa.
Cartaxo Alves explicou que o SAFE permitiu antecipar programas que estavam previstos para a LPM, como a aquisição das fragatas ou a edificação de uma brigada média no Exército, com novas viaturas blindadas.
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